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A viragem à esquerda da América Latina

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A viragem à esquerda da América Latina

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Vázquez no Uruguai, Chávez na Venezuela, Lula no Brasil, Bachelet no Chile e Morales na Bolívia. Escrutínio após escrutínio, a América Latina “vira” à esquerda.

No Perú, Ollanta Humala é o favorito após a primeira volta das presidenciais. No México, a esquerda segue de perto a direita a menos de dois meses das eleições para escolher um novo chefe de Estado.

No conjunto, as “diferentes esquerdas” poderão vir a controlar 80 por cento da América Latina. Ainda durante este ano, a Nicarágua, o Equador e o Perú poderão somar-se a esta tendência. No entanto, as várias esquerdas apresentam grandes diferenças e mesmo “fricções”.

Entre Hugo Chavez e Lula da Silva, as posições são opostas. O presidente venezuelano propõe um discurso radical com um tom populista e soluções nacionalistas. O chefe de Estado brasileiro, centrista, defende uma política orçamental ortodoxa com o objectivo de atrair capital, enquanto procura integrar a economia do país na globalização.

Lula ficou bastante descontente com a nacionalização boliviana. O presidente brasileiro e o homólogo argentino, Nestor Kirchner, desejariam uma maior convergência entre os “grandes irmãos” da esquerda.

Michelle Bachelet também não está contente. O seu país, o Chile, compra gás à Argentina, fornecida pela Bolívia.

Para além disso, Tabaré Vázquez, um suposto “aliado” da esquerda, negoceia na rectaguarda um acordo de livre comércio com os Estados Unidos. O Uruguai pretende sair do Mercosur, o mercado comum sul-americano.

Humala, por seu lado, não pretende “fazer negócio” com Washington. O Perú juntar-se-ia assim ao eixo “anti-imperialista”, a Alternativa Bolivariana para as Américas, lançada há algumas semanas em Havana e à qual se adicionou a Bolívia. Na ocasião, Evo Morales mostrou-se “bastante contente com o encontro” do seu país com Venezuela e Cuba. Disse tratar-se “de um grande reunião de três gerações, de três revoluções”.

A ALBA, um projecto de Chavez, permite também ajudar Fidel Castro, fornecendo-lhe petróleo. A chegada do presidente boliviano sublinhou as divisões da esquerda latino-americana.