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Benita Ferrero-Waldner: "a América Latina tem um grande potencial"

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Benita Ferrero-Waldner: "a América Latina tem um grande potencial"

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Benita Ferrero-Waldner, comissária europeia para as Relações Externas, responde mais uma vez perante as câmaras da EuroNews, numa altura em que a União Europeia entra numa cimeira com os países da América Latina e das Caraíbas. As nacionalizações na Bolívia, decididas pelo presidente Evo Morales e apoiadas pela Venezuela de Hugo Chávez, são o tema mais quente em cima da mesa.

Em discussão estão tambérm assuntos como a democracia, os direitos humanos e o combate à droga e ao terrorismo.

Sergio Cantone, EuroNews: Sra. comissária, bem-vinda à EuroNews: esta cimeira entre a América Latina, as Caraíbas e a União Europeia vai ser pariticularmente importante, por causa das tensões que existem com alguns países. Como pensa que é possível solucionar estas tensões?

Benito Ferrero-Waldner, comissária para as Relações Externas: Em primeiro lugar, a América Latina tem um grande potencial e com cada cimeira, tetamos desevolvê-lo mais. Agora, por exemplo, dissémos que queremos reforçar o diálogo político, mas também queremos falar de forma aberta, nesta cimeira, de doze temas importantes. Etre eles, a coesão social, a questão da integração regional, também o multilateralismo, a luta contra a droga e contra o terrorismo – isto só para mencionar alguns.

EN: A senhora acaba de mencionar doze pontos, entre os quais a coesão social, o multilateralismo e a luta contra a droga. A primeira é importante, porque é um problema de coesão social o populismo. A luta contra a droga, porque sabemos que a União Europeia se comprometeu a lutar contra a droga, não apenas na América Latina, e por último o multilateralismo sobre tudo o que diz respeito às relações com os Estados Unidos. Os senhores, francamente, pensam que nesta cimeira é possível solucionar todos estes pontos?

BFW: Creio que sim, pelo menos em linhas gerais. Por exemplo, a democracia é fundamental e efectivamente a América Latina avançou muito neste campo. Apesar de haver alguns governos mais populistas, o mais importante é que efectivamente se mantenha num quadro democrático. Isso parece-nos muito importante.

EN: Mas há uma preocupação com o que se está a passar em alguns paises, sobretudo no interior do pacto andino, ou não? Quero dizer, por exemplo, a posição da Venezuela é particular.

BFW: Nós queremos ouvir e efectivamente, para nós, a democracia, como disse, é muito importante. Dentro desta democracia há múltiplas formas de a viver, e queremos ver como se podem abordar alguns temas e como se podem solucionar. Então, sim, queremos ver do presidente Chávez e também do presidente Morales da Bolívia como estão a pensar fazer estas nacionalizações que estão a começar. Efectivamente, a nacionalização é um direito soberano de cada país, mas os investidores podem perder a confiança e essa falta de confiança pode tornar-se um problema para o país. Tudo isto estará certamente em cima da mesa e também nas diferentes reuniões que vamos ter.

EN: Quando se fala da America Latina é impossível não mencionar os Estados Unidos. Como vêm o futuro desta região: vêm uma cooperação com os Estados Unidos, ou uma competição política, na América Latina?

BFW: Nós, por um lado, cooperamos com os Estados Unidos em muitos assuntos. Por outro, tentamos trabalhar e cooperar com os paises latino-americanos de forma cada vez mais estreita. Trabalhamos com as diferentes possibilidades que ofrecem las relações bi-regionais. É assim que fazemos com o Pacto Andino. No entanto, tudo depede de se esses países estão prontos ou não. Nós estamos abertos, mas isso depende deles.

EN: De um ponto de vista político, o Brasil representa uma garantia para a União Europeia, mas não é o caso do ponto de vista comercial e económico. Por exemplo, houve tensões no que toca à agircultura…

BFW: Os presidentes Lula, do Brasil, e Kirshner, da Argentina, encontraram-se com o presidente boliviano Morales no outro dia, no Iguaçú, e creio que este discurso, este dialogo, pode continuar em Viena. Isso parece-me fundamental, muito bom e positivo.

Defendemos os nossos interesses e, ao mesmo tempo, queremos mais serviços e uma maior liberalização dos produtos industriais e agrícolas, reduzindo as subvençõpes, mas tudo isso deve ser feito ao mesmo tempo, no quadro das negociações do Mercosul e da ronda de Doha.