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Presidente Chen Shui-Bian: "A Formosa não é uma parte da China, nem é sua subordinada

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Presidente Chen Shui-Bian: "A Formosa não é uma parte da China, nem é sua subordinada

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Entre tradição e modernidade, a Formosa procura uma identidade diplomática. Pequim considera a ilha como parte do seu território, e ameaçou com acções militares se Taipé declarar a independência.

Numa entrevista à EuroNews, o presidente da Formosa, Chen Shui-Bian fala sobre eventuais conversas com a China, sobre o papel da União Europeia na região e sobre os esforços actuais de Taipé para tornar-se observador na Organização Mundial de Saúde.

EuroNews:

Face a uma superpotência comercial e económica como a República Popular da China, que argumentos e apoios tem para defender o seu país?

Chen Shui-Bian:

A coisa a mais importante é preservar a identidade da Formosa e a consciência que a Formosa não é uma parte da China, nem é sua subordinada. Adicionalmente, temos de manter a independência económica da Formosa e evitar inclinarmo-nos demasiado perante a China.

Enquanto as companhias mantiverem as suas raízes, quartéis-generais, suas bases e centros de pesquisa e desenvolvimento na Formosa, o mercado chinês pode ser considerado como uma parte da nossa estratégia mais abrangente de “cultivar a Formosa enquanto estendemos os braços ao mundo” “.

EuroNews:

Sugeriu que estaria disposto a conversar com a China se esta se comprometesse a realizar reformas democráticas. De que reformas está a falar especificamente?

Chen Shui-Bian:

Em primeiro lugar, a China tem de abandonar o regime totalitário sob a linha do Partido Comunista Chinês.

Em segundo, a China tem de implementar um sistema democrático genuíno e proteger a liberdade religiosa, a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa, a liberdade na internet e a liberdade de associação e reunião do seu povo.

Em terceiro lugar, a China tem de parar de oprimir a Formosa na arena internacional, incluindo nas áreas da diplomacia, da política, da economia, e das forças armadas.

Em quarto lugar, a China tem de desistir das tentativas e da preparação para utilizar a força contra a Formosa, retirar os mísseis que tem apontados a Taiwan, e retirar a chamada lei anti-cessação.

Em quinto lugar, a China tem de respeitar a escolha e a decisão livre dos 23 milhões de cidadãos da Formosa.

Se a China cumprir com todas estas condições então, talvez um dia o povo de Taiwan possa deixar de recusar a ideia de reunificação.

EuroNews:

Alguns críticos afirmam que a União Europeia assumiu uma posição discreta sobre a questão da Formosa. Partilha esta ideia? Que espera da Europa para melhorar as relações entre Taipé e a União Europeia?

Chen Shui-Bian:

Nós damos grande importância às relações pragmáticas e amigáveis entre a União Europeia e a Formosa. Podemos ser, em muitas questões, os mais fortes aliados, especialmente na economia, no comércio, e na cooperação comercial, baseada na opinião compartilhada que temos nos valores universais da democracia, da liberdade, dos direitos humanos, e da paz.

O Parlamento Europeu aprovou muitas resoluções em que apela para que a disputas entre os dois lados do estreito de Formosa sejam resolvidas de forma pacífica através do diálogo, e não com recurso à força ou de outros meios não-pacíficos.

Além disso, o Parlamento Europeu aprovou muitas resoluções apoiando a proposta da Formosa de transformar-se num observador da OMS e participar nas actividades relacionadas com a Organização Mundial de Saúde.

Em 2001, o “Liberal Internacional” (uma federação mundial de partidos políticos liberais e democráticos) decidiu honrar-me com o prémio para a liberdade.

Originalmente, a cerimónia da entrega devia ser tido lugar na Dinamarca. Mas o governo dinamarquês recusou emitir-me um visto. Então, a cerimónia foi deslocada para Estrasburgo, em França. No entanto, o governo francês recusou também conceder-me um visto.

Eu penso que para os estados-membros da União Europeia, foi certamente uma grande ironia que não tenha sido autorizado a ir a Estrasburgo, à sede do Parlamento Europeu, para receber o prémio para a liberdade, dado o facto dos estados-membros da UE há muito acreditarem nos princípios da liberdade, da democracia, dos direitos humanos, e da paz.

EuroNews:

Já referiu que Taiwan tem trabalhado muito para ser observador na OMS, a Organização Mundial de Saúde. Porque pensa que a Formosa merece este estatuto?

Chen Shui-Bian:

Penso que é muito claro que assuntos como os cuidados de saúde e a prevenção de doenças transcendem as fronteiras nacionais. Sendo este o caso, os 23 milhões de cidadãos da Formosa não devem ser privados do seu direito à saúde, nem deve este direito ser ignorado ou limitado.

A Formosa não deve ser o único buraco na rede global de prevenção das doenças, ou ser a única ausente das organizações internacionais de saúde importantes. Sobretudo, a Formosa não deve ser segregada e isolada da rede global de prevenção das doenças. Nós nem sequer estamos a pedir para sermos membros formais da OMS. Nós apenas desejamos, humildemente, tornarmo-nos observadores da OMS e isso não tem nada a ver com a questão da soberania nem com a chamada política da China una. Se considerarmos que mesmo a organização de libertação da Palestina e a ordem militar soberana de Malta podem ser observadores na OMS, então porque é que aos 23 milhões de cidadãos da Formosa lhes é negado o direito a participar?