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Dois processos judiciais na origem de críticas à situação democrática

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Dois processos judiciais na origem de críticas à situação democrática

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Novas manifestações e novas cargas policiais marcaram o fim do processo disciplinar contra dois juízes egípcios. Um dos magistrados foi reprimido com a suspensão da promoção e o outro saiu sem qualquer condenação. Os dois foram alvos de processos disciplinares por terem denunciado a ausência de investigação às acusações de fraude nas eleições legislativas do ano passado.

Ao mesmo tempo na rua, a polícia tentava acabar com um protesto. Foram detidos cerca de 500 elementos da Irmandade Muçulmana, principal força da oposição, que manifestavam apoio aos dois juízes, transformados em símbolos da luta pela independência da justiça no Egipto. A tensão em torno do processo inquieta a União Europeia e os Estados Unidos e relança as críticas ao presidente Hosni Mubarak. Washington financia o Cairo com dois mil milhões de dólares anuais, exigindo reformas democráticas. Washington aponta o dedo a Mubarak, sobretudo, em relação ao caso de Ayman Nour. O líder do partido Ghad, na oposição, defensor de reformas políticas e rival de Mubarak nas presidenciais do ano passado, viu ontem recusado, pelo Supremo Tribunal, o último recurso. Nour foi condenado em Dezembro a cinco anos de prisão, mas os Estados Unidos pedem a sua libertação por questões humanitárias. Numa reacção à decisão, os responsáveis pela diplomacia americana dizem que “a forma como o governo egípcio tratou este caso é ao mesmo tempo um desrespeito pelos valores internacionais de justiça e um revés para as aspirações democráticas do povo”.