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Deus negligenciou holocausto nazi, segundo Bento XVI

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Deus negligenciou holocausto nazi, segundo Bento XVI

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Seguindo as pisadas do seu antecessor, o Papa Bento XVI terminou ontem a sua viagem à Polónia com uma visita ao antigo campo de concentração de Auschwitz-Birkenau.

Um momento rodeado de um grande simbolismo para o Sumo Pontífice que se apresentou como “filho da Alemanha”, no campo de concentração onde o regime nazi dizimou entre 1.1 e 1.5 milhões de pessoas, entre opositores, judeus, polacos, ciganos e homossexuais. Bento XVI é o primeiro Papa alemão e antigo militar do exército nazi, a orar no campo pela reconciliação, “em nome dos que sobreviveram” e a lançar uma interrogação aos céus: “Num local como este, faltam-nos as palavras; e ao final resta-nos apenas umsilêncio terrível, um silêncio que é um grito vindo do coração e destinado a Deus, porque é que te mantiveste silencioso senhor? Como é que pudeste tolerar tudo isto?” Na presença de milhares de pessoas, entre antigos prisioneiros e chefes de várias comunidades religiosas, Bento XVI descreveu o regime nazi como um “bando de criminosos”, que utilizou o povo alemão como um instrumento de destruição e poder. Ao quarto e último dia da sua visita à Polónia, Joseph Ratzinger, tenta assim um gesto de reconciliação histórica, tão política quanto religiosa, na linha de João Paulo II. Uma homenagem ao seu antecessor, a caminho da santidade, que deixa talvez uma interrogação velada à Igreja sobre o seu papel durante o holcausto nazi.