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Exército norte-americano envolvido em novo escândalo

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Exército norte-americano envolvido em novo escândalo

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O massacre de Haditha levado a cabo pelo exército norte-americano, em Novembro de 2005, no Iraque, está na origem de um escândalo com contornos ainda mais graves do que o da prisão de Abu Grahib. Um inquérito administrativo feito pelo Pentágono, e que está praticamente terminado, parece confirmar a tentativa dos soldados implicados na matança e da respectiva hierarquia de camuflarem deliberadamente os acontecimentos.

Uma investigação criminal, também levada a cabo pelo Pentágono, conclui que no dia 10 de Novembro de 2005, 24 civis foram mortos por um pequeno grupo de marines no decorrer de uma operação que durou aproximadamente cinco horas. Os factos vieram a público graças a um vídeo feito por um jovem sobrevivente do massacre que o enviou para a revista Time em Março.

As imagens mostram os corpos das vítimas, entre as quais se encontravam mulheres e crianças pertencentes a duas famílias que foram assassinadas em suas casas a sangue frio. Cinco homens foram abatidos perto de um táxi. De acordo com a primeira versão oficial, uma bomba contra uma patrulha americana causou a morte do marine Miguel Terrazos e de civis iraquianos. Uma segunda versão oficial concluía que os civis morreram quando foram apanhados no fogo cruzado entre os soldados norte-americanos e os rebeldes iraquianos e são considerados como “danos colaterais”.

Tudo aponta para mais um caso de abusos por parte do exército norte-americano. O congressista democrata John Murtha, numa entrevista televisiva não escondeu o seu descrédito em relação à seriedade da administração Bush. “Não sabemos até onde é que isto vai em termos de hierarquia, será até ao general Pace. Quando é que ele tomou conhecimento disto? Será que ordenou a omissão do caso? Não acredito que o tenha feito, mas quem é que o fez? Não vamos falar disso, nem sequer vamos investigar.”

O massacre de Haditha constitui um duro golpe para os soldados presentes no Iraque. Para as organizações de defesa dos direitos humanos, a comunidade internacional está perante um crime de guerra.