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Ilham Aliyev: "Ninguém pode bloquear o Azerbaijão"

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Ilham Aliyev: "Ninguém pode bloquear o Azerbaijão"

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Ao discursar na Assembleia Parlamentar da NATO, o Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, destacou a participação do país nas operações da Aliança Atlântica e o papel de Baku na segurança mundial. Falou do processo democrático do país e da liberalização da economia.

Antes do discurso, Aliyev recebeu a equipa da EuroNews, com quem falou sobre os pontos quentes do momento, como a questão do Alto Karabakh ou ainda a conclusão do oleoduto que vai transportar o petróleo azeri até Ceyhan, na Turquia.

Pyotr Fyodorov, EuroNews: Sr. Presidente, bem-vindo à Euronews. Segundo as informações que temos, o oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan vai estar operacional em Setembro. Que mudanças vai causar no mapa energético europeu e mundial?

Ilham Aliyev, Presidente do Azerbaijão: Há um impacto económico que o Azerbaijão está já a sentir, o que nos traz milhares de milhões de dólares em investimento. É também uma oportunidade para o Azerbaijão transportar o seu petróleo para os mercados mundiais.

Até hoje, o nosso sistema de transporte permitia levar o petróleo apenas até à bacia do Mar Negro. A saída do petróleo do Mar Cáspio para o Mediterrâneo é um acontecimento histórico.

Obviamente, isso vai ter como consequência o desenvolvimento da cooperação regional e o reforço das posições do Azerbaijão, não só económicas, como também políticas, nos próximos anos. O desenvolvimento estável do nosso país fica assegurado por várias décadas.

EN: Segundo alumas informações, os Estados Unidos querem ter uma presença militar no Azerbaijão, no céu e nas margens do mar Cáspio. Como classifica essas notícias e quais são as vossas relações com Washington?

IA: As nossas relações desenvolvem-se de uma forma muito rápida. As relações entre o Azerbaijão e os Estados Unidos são entre parceiros estratégicos.

Colaboramos em vários domínios, nomeadamente económico e energético. Trabalhamos em medidas de reforço da segurança na região e no desevolvimento dos processos democráticos no nosso país e na região.

Colaboramos também no domínio militar. A nossa cooperação é muito variada. No que toca à presença de tropas estrangeiras no território do Azerbaijão, essa questão não está na ordem do dia.

EN: Há doze dias na cimeira do GUAM, uma organização formada pela Geórgia, Ucrânia, Moldávia e Azerbaijão, o senhor declarou que esta união não se opõe a Moscovo. O que representa ela para si? Que mudanças reflecte ela no chamado “espaço pós-soviético”?

IA: Uma adesão a uma organização internacional é sempre ditada pelo respeito máximo dos nossos interesses, isto para qualquer país.

Neste caso particular, há já entre os países membros do GUAM um certo número de projectos regionais muito importantes. Estes projectos estão em processo de realização. Se nos concentrarmos nos esforços comuns em questões económicas, energéticas e de transporte, todos podem beneficiar.

As afirmações que querem provar que esta união é dirigida contra seja quem for não fazem sentido. O Azerbaijão nunca fez parte de organizações dirigidas contra quem quer que seja. E não o vamos fazer no futuro.

As nossas relações com a Rússia estão no bom caminho e estamos muito satisfeitos. Consideramos que isso está perfeitamente de acordo como os interesses de ambos os países.

EN: Certos observadores dizem que o problema da integridade territorial é comum aos países do GUAM. Para o Azerbaijão, é o problema do Alto Karabakh. Qual é, para si, a solução para este problema?

IA: Há uma parte verdadeira nessa afirmação. na verdade, todas as situações de conflito do espaço pós-soviético passam-se nos países GUAM. O Alto Karabakh é território azeri, do pnto de vista económico e jurídico. A integridade territorial do Azerbaijão é reconhecida pela ONU e por todos os países, tirando a Arménia, que agrediu o nosso país.

Depois desta agressão e de uma política de purificação étnica, mais de um milhão de azeris tornaram-se refugiados.

É uma grande catástrofe humanitária. Um acto intolerável de ocupação do território de outrém. Obviamente, a integridade territorial do Azerbaijão tem de ser reconstituída sem qualquer condição prévia.

EN: Em Setembro, Chipre bloqueou a participação do Azerbaijão no programa “Europa alargada – nova vizinhança”. Porquê? Como são as vossas relações com Bruxelas?

IA: Temos muito boas relações com todos os países da União Europeia, sobretudo com os países maiores. No que toca às tentativas de bloquear o Azerbaijão, essas tentativas não têm efeito.

É impossível bloquear o nosso país, uma vez que não se pode bloquear os recursos energéticos. Por isso, penso que há questões particulares, de certos países, que não devem impedir a nossa cooperação.

Ao cooperarmos com a União Europeia, as duas partes ganham. O alargamento da cooperação é positivo para o Azerbaijão e para a União Europeia. é importante também que os Vinte e Cinco tenham o Azerbaijão entre os amigos mais fiéis.

EN: Muito obrigado, Sr. Presidente.

IA: Muito obrigado.