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Separação da Sérvia e do Montenegro acende ânimos nos Balcãs


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Separação da Sérvia e do Montenegro acende ânimos nos Balcãs

O parlamento sérvio, proclamou a independência da Sérvia, reafirmando-se o herdeiro do Estado Sérvia-Montenegro. Uma decisão sem surpresas, mesmo que seja a concretização do desmembramento do que restava da antiga Jugoslávia. Os deputados não tinham escolha depois do resultado do referendo de 21 de Maio no Montenegro.

Os partidários da independência ultrapassaram os 55 por cento fixados pela União Europeia para validar a secessão, assim como os 50 por cento de participação.

A União Europeia viu assim esfumar-se a União Sérvia-Montenegro depois do seu último esforço para manter num só Estado as duas repúblicas. Foi em 2002, sete anos depois dos Acordos de Dayton que acabaram com o fim da antiga Jusgoslávia, cujo desmembramento teve início em 1991.

Mas as tensões secessionistas não desapareceram. A independência do Montenegro demonstrou-o e pode ter consequências no Kosovo e na Republika Srpska.

No Kosovo, que, juridicamente, ainda faz parte da Sérvia, registam-se as mesmas tensões entre sérvios e albano-kosovares, sete anos depois do fim da guerra. O norte pode escapar-se ao controlo de Pristina se os albaneses conseguirem a almejada independência da Sérvia. A cidade de Zvecan já declarou o estado de emergência em resposta a tiroteios alegadamente provocados por albaneses.

Sob tutela da ONU, as duas comunidades não conseguem cohabitar em paz e muito menos entenderem-se sobre o futuro da província. A minoria sérvia opõe-se à independência em relação a Belgrado, como o desejam os albaneses, e ameaça com a separação da parte norte da província, onde é maioritária, no caso do Kosovo adquirir a soberania.

Na Bósnia-Herzegovina, a independência do Montenegro também semeia inquietude.

Como afirma um residente de Sarajevo, a estabilidade pode ser afectada…“poderá criar-se uma tendência de concentração dos sérvios, da identidade sérvia e da Repúblika Srpska”.

De facto, o Alto Representante da Bósnia Herzegovina teve de lembrar aos dirigentes sérvios das duas margens do Drina que, segundo os Acordos de Dayton, a Republika Srpska não pode separar-se da Bósnia, nem mesmo por referendo.

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