Última hora

Última hora

Kurt Wolker prepara cimeira: "as relações EU/USA estão melhores do que nunca

Em leitura:

Kurt Wolker prepara cimeira: "as relações EU/USA estão melhores do que nunca

Tamanho do texto Aa Aa

O subsecretário de Estado adjunto para os Assuntos Europeus, Kurt Volker, é um dos responsáveis máximos para a reconstrução das relações Estados Unidos/União Europeia depois de quatro anos de tensões. É ele quem desenvolve, na prática, os esforços delineados por Condoleeza Rice, para restaurar a confiança dos europeus em Washington. Kurt Volker acha que a cimeira dos Estados Unidos e da União Europeia, em Viena, vai mostrar os resultados do trabalhos feito este último ano.

EuroNews: Benvindo à EuroNews. Qual é a mensagem que a administração norte-americana vai dar à Europa no contexto da cimeira União Europei/Estados Unidos, em Viena?

Kurt Volker:
Penso que a viragem se deu com a visita do presidente Bush à Europa, em Fevereiro de 2005, quando ele deixou claro que queria trabalhar em conjunto para elaborar uma agenda estratégica baseada nos valores comuns. Estamos verdadeiramente implicados na construção desta via com a Europa. Com a aproximação da Cimeira, um ano e meio depois do início de todo este esforço, as relações entre ambos nunca foram tão profundas, robustas e profícuas.

EuroNews:
O Iraque ainda divide alguns membros da União Europeia e os Estados Unidos?

Kurt Volker:
Negociamos com a União Europeia, com países membros da UE, assim como com os aliados europeus que ainda não são membros…e há um grande consenso quanto ao apoio à segurança, democracia e estabilidade no Iraque, no interesse do seu povo, e não houve qualquer derivação do objectivo estabelecido e que tentamos cumprir. O problema que se pode pôr em relação à maneira como entrámos no Iraque já não é tão relevante hoje; o que importa é apoiar o governo iraquiano. Claro que os americanos preferem retirar as suas tropas, queremos ver o Iraque ter sucesso, mas para isso é preciso reforçar a democracia no que respeita a estabilidade e segurança, mas não queremos lá deixar as nossas tropas permanentemente …queremos fazer alguns ajustes, como alguns países europeus. Durante o governo de Berlusconi, a Itália anunciou que iria retirar as suas forças antes do tempo, e o actual primeiro-ministro, Romano Prodi, já disse que seguiria a mesma linha. Também explicou que a Itália continuará a apoiar a democratização e desenvolvimento do Iraque, com as forças de segurança capazes de garantir a protecção do trabalho de reconstrução.

EuroNews:
O contencioso nuclear iraniano pode servir para os Estados Unidos e a União Europeia adoptarem posições comuns em relação a outros assuntos do Médio Oriente?

Kurt Volker:
Eu diria que o contencioso se refere ao programa nuclar iraniano, e não a um programa regional mais amplo. O regime iraniano insiste no seu direito ao acesso ilimitado à totalidade do ciclo nuclar, mas, o seu passado histórico leva-nos a crer que isso reflecte a intenção de desenvolver armamento nuclear. Os Estados Unidos e a Troika Europeia partilham esse medo.. Por isso levámos o assunto à Agência Internacional da Energia Atómica e posteriormente ao Conselho de Segurança da ONU, que estuda a questão com a China e com a Rússia…

EuroNews:
Mas não o preocupa que, um dia, a União Europeia possa negociar com o Hamas?

Kurt Volker:
É verdade que algumas vozes europeias se mostraram favoráveis a essa negociação, mas isso não traduz a política da União Europeia nem dos seus Estados membros, que sempre defenderam o que foi estabelecido pelo Quarteto e que é o que está a ser aplicado. haverá sempre debate na sociedade livre, na Europa e nos Estados Unidos. Adoptámos uma linha comum para o avanço da política escolhida entre todos.

EuroNews:
Pensa que a União Europeia e os Esatdos Unidos podem seguir uma espécie de acção comum em relação à Rússia?

Kurt Volker:
Espero que sim essa é uma esperança partilhada por todos, para que o fornecimento de energia seja fiável e seguro para produtores e consumidores. É algo que desenvolvemos rumo à diversidade de recursos, para que não haja monopólio do fornecimento, se estabeleçam diferentes rotas energéticas, com diferentes tipos de energia, desenvolvendo combustíveis alternativos como suplemento à energia criada segundo a estratégia do protocolo de Quioto adoptada pela Europa; penso que os europeus e americanos devem debater estes assuntos para desenvolver uma política concertada e convencerem as indústrias a seguirem no mesmo sentido, nomeadamente em países como a Rússia.

EuroNews:
Que acha do eurocepticismo que se espalhou na Europa, nestes últimos anos, com o alargamento?

Kurt Volker:
O debate sobre o alargamento está a ser visto de forma negativa, o que é pena porque, quando se observa o alargamento da União Europeia numa perspectiva de longo prazo, conclui-se que este constitui um sucesso histórico. Foi ajudado pelo avanço da liberdade, democracia, economia de mercado e segurança em mais de metade da Europa, o que não era o caso anteriormente. Não achamos que o trabalho esteja completo. Uma parte da Europa tem de continuar a fortalecer a democracia e segurança, como é o caso dos Balcãs.

EuroNews.
Muito obrigado…

K.V:
Obrigado.