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Famílias de detidos mortos em Guantánamo não acreditam em suicídio

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Famílias de detidos mortos em Guantánamo não acreditam em suicídio

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As famílias dos três detidos que morreram em Guantánamo não acreditam na tese do suicídio, apresentada pelos responsáveis norte-americanos.

Segundo os advogados dos familiares, os prisioneiros são vigiados 24 horas por dia por câmaras de vídeo, e muitos deles têm vigilância individual. Os detidos que morreram estavam no Campo Um, considerado como aquele onde a segurança máxima do centro é mais sentida. Mas para quem esteve em Guantánamo, o suicídio é uma tese perfeitamente credível. Shafiq Rasul, antigo prisioneiro da base americana em Cuba, diz que “o desespero pode levar ao suicídio. Um detido não sabe o que se passa, não sabe por que está preso. É complicado acusarem uma pessoa de terrorismo quando essa pessoa sabe que não fez nada errado”. Shafik ignorava o que se estava a passar, “ía ficando louco” mas teve de “ser forte e pensar que tinha a família à sua espera”. Para um dos dirigentes de Guantánamo, os suicídios não foram um acto de desespero mas antes um acto de guerra. Shami Chakrabati, da Liberty, uma associação de defesa de direitos civis, diz que as declarações mostram falta de compaixão e são perigosas. E considera que segundo a condição humana, uma vida sem esperança é completamente insuportável. Para além dos dois sauditas e um iemenita que se suicidaram, as autoridades registaram mais duas tentativas de suicídio no mesmo dia, ao princípio da tarde, também no Campo Um, ao começarem alguns confrontos no interior do centro.