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Karen Hughes garante à EuroNews que o seu trabalho é suavizar a imagem dos EUA na Europa

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Karen Hughes garante à EuroNews que o seu trabalho é suavizar a imagem dos EUA na Europa

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Karen Hughes é o novo rosto da diplomacia norte-americana: é subsecretária de Estado para a Diplomacia e Assuntos Públicos e cabe-lhe mudar a imagem negativa dos EUA no estrangeiro, nomeadamente em Bruxelas, onde se encontra. Hughes vai manter diversas reuniões com responsáveis europeus antes da cimeira Estados Unidos/União Europeia de 21 de Junho.

EuroNews: A estratégia de Comunicação da administração de Bush mudou nestes últimos dois anos?

Karen Hughes: – Eu estou a trabalhar muito para conseguir isso, e foi por essa razão que a Secretária de Estado Condoleezza Rice me nomeou: porque reconheceu que há muito a fazer nesta área. O meu trabalho é promover o diálogo entre a América e o resto do mundo, porque há muito a escutar e não só a abordar, é preciso mostrar respeito pelos outros países e culturas. Por isso, quando visito um país passo muito tempo a ouvir os outros.. Estou em Bruxelas, aqui na Europa, para ouvir.

EuroNews: – Porque é que a estratégia de comunicação da
administração de Bush muda?

K.H.- Percebemos, a nível interno, que os nossos parceiros europeus, e não só, estavam muito descontentes connosco por causa do Iraque.
Também há vozes, no nosso país, em desacordo com a decisão que o presidente tomou em nome do interesse dos americanos e da segurança assim como em nome dos iraquianos e do mundo em geral. Reconhecemos as divisões que a decisão provocou e a tendência de não falar delas. Fazemos um melhor trabalho se reconhecermos tudo isto e eu tive a sorte dos melhores 10 meses da oportunidade diplomática se ter dado durante a minha estadia no departamento de Estado, quando os europeus apoiaram a decisão americana sobre o Irão. Esta decisão trouxe à mesa de negociações os parceiros europeus até então um pouco afastados.

EuroNews: – Esta nova estratégia de comunicação é o resultado da nova relação com os europeus em relação à crise nuclear ou também serve para marcar pontos em relação ao Iraque?

K.H.: – É injusto atribuir este desenvolvimento a uma causa ou um conjunto de circunstâncias, pois depende de um verdadeiro reconhecimento dos desafios que o mundo coloca, e nós tornamos-nos mais fortes se estivermos juntos.

EuroNews: – Esta mudança estratégica representa um salto da diplomacia musclada para uma outra mais soft?

- Ambas são importantes, conforme os casos há que partir para a acção militar, mas o debate deve servir em todas as crises…o meu argumento é que o presidente Bush tenta aproximar-se do mundo e espera que o mundo se aproxime dele, tem trabalhado durante este mandato para conjugar as suas posições com as dos outros líderes mundiais. A importância que ele reconhece é tão grande que me chamou para o departamento de Estado para trabalhar nesta área mais pública da diplomacia.

EuroNews: – Qual é o papel da educação nesta guerra contra o terror e o fundamentaLISMO?

K. H.: – A educação é absolutamento vital porque os extremistas violentos querem “fechar as mentes”, ou é à maneira deles ou não há maneira possível, têm uma rígida ideologia e todos devem concordar com eles…até para os nossos amigos muçulmanos é difícil: são ameaçados de morte se não cumprirem os ritos religiosos como eles exigem. São rígidos, intolerantes (…) e nós, pelo contrário, queremos mentes abertas, queremos pessoas educadas para conseguirem decidir por elas.

EuroNews: – Mas esta gente, especialmente os suicidas do 11 de Setembro…

K.H.: – Eles tinham estudos. Mas tinham a sua maneira de ver as coisas, queriam impôr a ideologia ao resto do mundo, uma visão totalitária da sociedade, sem liberdade política e religiosa, restabelecendo um império totalitário, e ~´os sabemos que tipo de sociedade eles querem no Afeganistão..

EuroNews: – Qual é o papel da Internet na guerra entre a democracia e o fundamentalismo?

K.H.: – Esta questão tem duas abordagens (e eu vi muitos sites): por um lado um lado, os terroristas usaram a Internet para planearem as operações em segredo, operarem o radar abaixo dos níveis dtectados pelos radares nos métodos tradicionais de comunicação…vi uns vídeos de propaganda que encorajavam os jovens a juntarem-se à causa. Por outro lado, a internet pode ser uma ferramenta poderosa para elucidar os jovens, que ajuda a encurtar as distâncias entre o mundo e a casa.

EuroNews: – Os nossos agradecimentos.

K.H.: – Eu é que agradeço.