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Jogo e prostituição lançam Víctor Emanuel nas malhas da justiça

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Jogo e prostituição lançam Víctor Emanuel nas malhas da justiça

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Victor Emanuel, o príncipe caído em desgraça, o “pobre homem” – como lhe chamam os jornais italianos, acabou apanhado nas malhas da justiça depois de, várias vezes, ter conseguido ludibriá-la.

A detenção do herdeiro da Casa de Saboia,
filho do último rei de Itália, Umberto II, na passada sexta-feira, parece não ter surpreendido muita gente na península transalpina, onde não grangeava simpatias.

Victor Emanuel de Sabóia, de 69 anos, regressou oficialmente a Itália em Março de 2003, depois de 56 anos de exílio imposto à família real como forma de sanção pela colaboração do rei Victor Emanuel III (1900-1946) com o regime fascista de Mussolini. Grande parte do exílio de Humberto II, que reinou apenas um mês após a renúncia do pai, foi passado em Cascais.

Víctor Emanuel, a mulher e o filho, tiveram sempre residência na Suíça. É lá que se encontra o casino Campione de Itália, num enclave italiano próximo de Lugano.
O príncipe foi detido no âmbito de uma investigação sobre tráfico de máquinas de jogo e falsificação de selos para videojogos e “recrutamento” de prostitutas para esse casino. Entre outros, o porta-voz de Gianfranco Fini (antigo chefe da diplomacia italiana) também foi acusado.

Salvatore Sottile e os co-arguidos foram objecto de escutas telefónicas, transcritas nos jornais italianos. Em troca de favores sexuais, prometeu passagens na televisão. Um responsável da RAI está igualmente envolvido e suspenso.

O processo desta associação de malfeitores tem duas mil páginas. Mas para Vítor Emanuel não é o primeiro. Em 1978, na Córsega, em circunstâncias obscuras, abateu a tiro um alemão. 13 anos depois foi ilibado do tiroteio mortal, e condenado a seis meses de pensa suspensa por uso e porte de arma.

Ainda nos anos 70, esteve envolvido num caso de tráfico internacional, que foi encerrado sem acusações.

A reputação de mafioso precedeu-o, o que explica a pouca empatia dos italianos pelos problemas do príncipe com a Justiça. Além do mais, Víctor Emanuel sempre evitou desculpar-se em nome do avô, seu homónimo, pela colaboração com Mussolini e pelas leis raciais que assinou.