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Operação policial contra ETA abala perspectivas de paz no país basco

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Operação policial contra ETA abala perspectivas de paz no país basco

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As polícias francesa e espanhola prosseguiam esta noite a operação conjunta lançada esta madrugada contra o aparelho de financiamento da ETA.

Até agora pelo menos 13 pessoas foram detidas sob a acusação de fazerem parte do sistema montado pela organização durante 20 anos para cobrar o chamado “imposto revolucionário” a empresários do país basco e de Navarra. As detenções realizadas no país basco francês e espanhol são o culminar de uma investigação iniciada em 1998. A maioria dos detidos com idades superiores a 60 anos era já conhecida dos serviços de polícia. A operação decidida há uma semana por dois juízes anti-terroristas, um espanhol e outro francês, põe a nú o sistema de financiamento da ETA que utilizava o território francês para fazer transitar o dinheiro extorquido aos empresários bascos. Angel Iturbe Abasolo, o alegado chefe das finanças da organização em França encontra-se entre os detidos, assim como Julen de Madariaga, fundador da ETA que, no entanto, e desde há alguns anos tinha saído da organização para enverdar pela política no seio de um partido nacionalista. Em pleno período de cessar-fogo da ETA, o ministro do interior Alfredo Pérez Rubalcaba, sublinhou que, “a acção de hoje não põe em causa os esforços de paz do governo, provando apenas que juízes e polícias não estão de braços cruzados”. Do lado do braço político da ETA, o porta-voz do ilegalizado Batasuna, Arnaldo Otegi exigiu que o governo se explique face a esta acção, “vista por cada cidadão basco como um ataque frontal às esperanças de paz no país basco”. A organização nacionalista Askatasuna por seu lado considerou que a acção de hoje tem por único objectivo, “sabotar o início do processo de paz”, convocando manifestações de protesto em todo o país basco para a próxima sexta-feira. Desde o anúncio de “cessar-fogo permanente”, no dia 22 de Março, que a ETA tem renovado o seu compromisso com a paz, advertindo os governos de Madrid e Paris para o efeito negativo de novas acções de repressão. Segundo as autoridades de Madrid, a ETA teria cumprido o anunciado no que se refere ao fim das suas actividades de extorsão, uma vez que durante a operação de hoje não foram encontrados quaisquer provas de novas “cobranças” do imposto revolucionário.