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Serra Leoa quer justiça

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Serra Leoa quer justiça

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O antigo presidente da Libéria, Charles Taylor, deixou a Serra Leoa onde o seu julgamento por crimes de guerra e contra a humanidade poderia causar a destabilização do país.

Em 1989 inicía a rebelião na Libéria contra o regime de Samuel Doe. Dois anos depois a guerrilha na Serra Leoa começa as atrocidades. Em 1995 é assinado um acordo de paz na Libéria e em 1997 Taylor é eleito presidente. A paz dura um par de anos. Em 2003 Charles Taylor é obrigado a deixar o poder e parte para o exílio na Nigéria. Em Março deste ano foi capturado e enviado para a Serra Leoa para ser julgado. Durante este período o ex-presidente é tido como o principal apoiante dos rebeldes da Serra Leoa, fornecendo-lhes armas a troco de diamantes.

Apesar de ser responsabilizado pela morte de milhares de pessoas nos dois países, no actual julgamento Taylor foi constituído arguido por 11 crimes cometidos na Serra Leoa. Nas primeiras audiências em Freetown, Taylor recusou reconhecer a autoridade do tribunal e declarou-se inocente.

Charles Taylor nasceu na Libéria em 1948 no seio duma familia descendente dos antigos escravos norte-americanos que fundaram o país no século XIX. Os estudos, fá-los nos Estados Unidos, regressando em 1980 para ocupar um posto importante na administração corrupta de Samuel Doe. Acusado por este de desvio de fundos, foge e dá início à rebelião no seu país. O apoio aos rebeldes da Serra Leoa vem em seguida. Ora, estes notabilizaram-se pelo recrutamento de crianças e pela violência, nomeadamente a mutilação de braços e pernas a civis.

A educação americana do antigo presidente liberiano e a sua eleição em 1997 depois de consquistar o poder militarmente, abriram-lhe as portas das chancelarias. Durante dois anos foi tido como um respeitável dirigente oeste-africano, antes de cair em desgraça e ser corrido do poder da forma mesma forma que o conquistou.

O magistrado que dirige a acusação referiu-se uma vez a Taylor como o terceiro suspeito de crimes guerra mais procurado do mundo.