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Coligação de Timochenko ameaça reacender guerra do gás com Rússia

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Coligação de Timochenko ameaça reacender guerra do gás com Rússia

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A formação da nova coligação governamental na Ucrânia ameaça não pôr fim à crise e poderá mesmo reacender a guerra do gás com a Rússia. Quase três meses após as eleições, os partidos da Revolução Laranja – o Bloco de Julia Timochenko e o Nossa Ucrânia do presidente Viktor Iushenko – conseguiram obter o apoio dos socialistas e chegar a um acordo para a formação de um governo.

A oposição, personificada por Viktor Ianukovich, não acredita na estabilidade da coligação. Julia Timochenko vai apresentar-se na próxima semana ao posto de primeira-ministra, do qual foi demitida há oito meses por divergências com o presidente. Os nomes dos próximos ministros deverão ser conhecidos dentro de 30 dias. O chefe de Estado ucraniano pede ao país um pouco mais de paciência, pois pela primeira vez em 15 anos tiveram de formar uma maioria parlamentar. Julia Timockenko ainda não foi aprovada pelo parlamento, mas considera-se já primeira-ministra e as suas intenções fazem temer uma nova crise do gás. Timochenko diz que pretende rever todos os acordos energéticos assinados com a Rússia no início do ano e com data de expiração marcada para o final deste mês. Em Janeiro, a Rússia duplicou os preços do gás à Ucrânia. Face às declarações de Timochenko a resposta da Gazprom não tardou. A empresa russa, através do porta-voz Sergei Kuprianov, avisa que as intenções ucranianas podem dar origem a uma nova crise do gás e, como os acordos prevêem a passagem do gás pela Ucrânia, uma nova prova de força poderá afectar mais uma vez o abastecimento energético da Europa. Para Moscovo, que pretende subir novamente o preço do gás a Kiev, a Ucrânia é o elo fraco na linha de abastecimento. Cerca de 80% do gás russo usado na Europa chega por via dos gasodutos ucranianos. Linha de abastecimento que afectou os europeus quando, no início do ano, o fluxo energético diminuiu, consideravelmente, por causa do braço-de-ferro entre Kiev e Moscovo, devido ao diferendo sobre o preço.