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Janez Jansa: "A Europa é a única alternativa"

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Janez Jansa: "A Europa é a única alternativa"

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Em funções desde Novembro de 2004, Janez Jansa, primeiro ministro da Eslovénia, é chefe de um governo de centro-direita que conduz, com sucesso, esta pequena república à adesão à Zona Euro, em Janeiro de 2007. A Eslovénia festeja, este domingo, 15 anos de independência. Foi este o acontecimento que desencadeou a separação da Jugoslávia, nos anos 90.

Outra vitória para a Eslovénia: o país vai ser o primeiro, dos dez novos Estados-membros, a assumir a presidência rotativa da União Europeia, o que vai acontecer em 2008, data em que deve ser votado um novo tratado constitucional.

Sergio Cantone, EuroNews: Sr. primeiro-ministro, bem-vindo à EuroNews. A Eslovénia assume a presidência da União Europeia entre duas presidências igualmente importantes, as da Alemanha e França. É uma tarefa delicada, uma vez que vão participar no debate sobre a modificação da constituição. Como é que a Eslovénia se prepara para este desafio?

Janez Jansa, primeiro-ministro esloveno: Espero, neste domínio, propostas em dois campos diferentes: o primeiro tem a ver com o que fazer para respeitar o nosso compromisso de ratificar o tratado constitucional na totalidade.

Dois Estados-membros importantes, a França e a Alemanha, não são suficientes para decidir e juntar todos os outros países à volta de uma decisão.

Há outra situação, uma nova geometria da nova União Alargada. Por isso pensamos que todos os passos que devemos poder dar no futuro vão ser difíceis de levar a um bom termo. Por isso, não temos esperanças demasiado grandes em relação à nossa presidência.

EN: Sim, mas como sabe, exercer a presidência da União Europeia é um pouco fazer o papel de árbitro. Como pensa criar consenso entre os Estados-membros sobre a questão constitucional, durante os seis meses da vossa presidência?

JJ: Não somos neutros: a Eslovénia já ratificou o tratado e queremos que os outros o façam também.

Lembro-me, por exemplo, de quando a Irlanda rejeitou o tratado de Nice, numa primeira votação, e ninguém na altura disse que era preciso procurar novas opções, todos disseram que a Irlanda acabaria por ratificar. É dessa forma que temos de ver os outros Estados membros.

EN: Quinze anos depois da independência, a Eslovénia vai adoptar o euro, mas há ainda um problema relativo à dupla afixação dos preços. Na sua opinião, por que razão existem estes problemas?

JJ: Precisamos de controlar directamente os preços, sobretudo os preços dos produtos mais correntes, que são os que nos dão mais problemas.

Tentámos aprender com outros países, que viveram aumentos nos preços depois da introdução do euro. Não queremos repetir essas práticas. Por isso, começámos com uma educação, um controlo. Não esperamos mudanças importantes nos preços.

EN: Sabemos que o alargamento aos Balcãs Ocidentais é um objectivo para a União Europeia. A Eslovénia propõe-se a desempenhar um papel importante nas negociações com as antigas repúblicas jugoslavas?

JJ: A Eslovénia está próxima dessa região, está na fronteira dessa região. É ainda mais do nosso interesse que a região esteja estabilizada, pronta para avançar para uma situação de crescimento económico, que dê autonomia às pessoas. Como disse, só há uma alternativa, que é a perspectiva europeia. Para termos a certeza de que a União Europeia consegue dar este passo, é preciso subir um degrau muito importante. Para este alargamento, penso que serão precisos cinco ou dez anos.

EN: É de um interesse grande para a Eslovénia?

JJ: Estes países são importantes para nós e, ao mesmo tempo, se temos relações comerciais com esta parte da Europa, constatamos que elas não representam mais de 20 por cento do total das nossas operações comerciais. O que, no entanto, não deixa de ser uma percentagem importante.