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Günter Grass sente-se "envergonhado" por ter sido operacional das SS

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Günter Grass sente-se "envergonhado" por ter sido operacional das SS

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O envolvimento de Günter Grass nas SS, as forças de elite de Hitler, poderia ter sido conhecido mais cedo. O seu nome consta dos ficheiros do exército alemão, que podem ser consultados mediante uma pesquisa por palavras-chave. No entanto, os mesmos arquivos vão ser tornados públicos já no próximo ano. Por isso, os críticos do escritor alemão acusam-no de oportunismo, por um lado, e de golpe publicitário por outro, já que a recente autobiografia centra-se na passagem de Grass pelas SS.

Hellmuth Karasek, um conhecido crítico literário alemão, diz que “de repente toda a gente se sentiu enganada”. Considera que “quem manteve o silêncio sobre funções oficiais na época nazi é uma pessoa sem palavra”. A autobrigrafia de Günter Grass deveria ser publicada só a 1 de Setembro. Mas a procura nas livrarias foi tanta que o livro foi posto à venda já esta quarta-feira.

Grass revela que se sente envergonhado por ter pertencido às SS. Mas nem todos estão contra o escritor alemão, como um habitante de Berlim que considera Grass como parte da história da Alemanha. O Prémio Nobel da lLiteratura, com 78 anos, era considerado até agora na Alemanha como uma das maiores vozes contra o nazismo.

No livro, confessa que aos 15 anos tentou entrar voluntariamente, mas sem sucesso, para o U-Boot, um serviço ligado à armada, mas aos 17 foi chamado para as SS. A ideia na altura, explica o escritor, era sair de casa dos pais.