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Saddam presta contas pela operação Anfal

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Saddam presta contas pela operação Anfal

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Para os curdos de Sossana, junto à fronteira com o Irão, o segundo processo contra Sadam Hussein é um tardio ajuste contas.

A 22 de Março de 1988, o exército iraquiano atacou a cidade com gás mostarda e gás sarin, no quadro da operação Anfal – nome de um capítulo do Corão que significa “Espólios”.

Oficialmente, o objectivo era pôr fim à insurreição militar curda, apoiada pelo Irão depois da guerra Irão/Iraque.

Mas como demonstram os registos no cemitério local, entre as 70 campas feitas na altura, muitas são de mulheres e crianças.

Mesmo os que escaparam do gás, combatentes ou não, acabaram por ser apanhados pelos miliatres iraquianos.

Havia 300 famílias e hoje, na devastada paisagem restam 70.

Atya Rada lembra o que aconteceu:
“Fugimos dos ataques químicos mas caímos na armadilha e muitos foram levados pelos soldados. Os que sobreviveram podem estar vivos, mas não vivem inteiramente – perderam muitos entes queridos”.

No total, foram exterminados entre 50 mil a 100 mil curdos. Muitos outros milhares fugiram enquanto durou a operação Anfal, entre 1987 e 88.

Os nove ataques desta campanha incluiram o gaseamento em 25 vilas e cidades. Duas mil povoações desapareceram do mapa à força de bombas e escavadoras.

Saddam Hussein encarregou o primo, Ali Hassan al-Majid, o “Ali Químico”, de manter a região sob seu controle.

Ali declarou “zonas proibidas” na região, onde considerava todos os moradores insurgentes. Estas zonas eram bombardeadas e depois invadidas.Os habitantes eram executados.

A figura de Ali Hassan al-Majid é central no caso.
Pesam sobre ele diversas acusações, principalmente pela utilização de gases tóxicos, execuções em massa, e criação de campos de detenção para dominar o norte curdo.

Para os sobreviventes da operação Anfal, como os que se manifestaram hoje em Kalar, a condenação de Saddam não vai chegar: exigem indemnizações.

Apesar da amplitude da vaga de ataques aos curdos, e da mobilização da comunidade internacional, as compensações monetárias às famílias atingidas são inferiores a 100 euros por mês.