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Missão da ONU no Líbano é perigosa e frágil

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Missão da ONU no Líbano é perigosa e frágil

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Se havia dúvidas, já não há: a fragilidade da resolução 1701 da ONU ficou provada no passado sábado com o ataque do Tsahal às posições do Hezbollah no Vale de Bekaa. O texto impõe o cessar-fogo, no sul do Líbano, há nove dias, e permite ao exército israelita defender-se do Hezbollah, dando uma justificação à guerrilha xiita para não abandonar as armas.

O impasse, altamente explosivo, pode prolongar-se por três meses, antes da chegada dos militares necessários à ONU para manter a paz. Missão essa sem mandato preciso, que é de alto risco neste clima de tensão. Mesmo com a ajuda dos soldados libaneses, cabe aos capacetes azuis vigiar as fronteiras.

O general Alain Pellegrini admite que a missão “é muito frágil, tensa, perigosa, volátil, porque ao mínimo incidente as coisas podem agravar-se”. Para cumprir a missão entre a linha azul e o rio Litani, a Força Interina das Nações Unidas no Líbano, FINUL, precisa:

Oito batalhões de Infantaria mecanizados;
Três batalhões de reconhecimento;
Quatro companhias de comunicações;
Duas companhias de polícia Militar;
Cinco helicópteros de observação com 160 soldados.
Uma unidade hospitalar, etc

15 mil homens no total, que vários países como a França e a Itália se apressam a enviar mal obtenham as garantias sobre a segurança e competências da FINUL. Os média franceses revelam que a proposta de acção provisória para os capacetes azuis desarmarem o Hezbollah ou agir em caso de recomeço dos combates é manifestamente insuficiente.

O que dá o papel principal no desarmamento ao exército libanês, o que é perigoso, como afirma o comandante italiano Franco Angioni: “Interferir na operação política do governo libanês, numa situação em que em que a população está desesperada pelo que viveu, usar a força militar em tal operação é extremamente perigoso”. Sem uma autonomia clara a FINUL arrisca-se a cumprir um papel mais diplomático do que militar. Quase a mesma situação que a confinou a estar entre dois fogos desde a sua ida para o sul do Líbano, em 1978.