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Arriar da bandeira iraquiana, ainda não é sessessão curda

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Arriar da bandeira iraquiana, ainda não é sessessão curda

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Reacende-se a polémica sobre a retirada da bandeira nacional iraquiana dos edifícios públicos do Curdistão.

A decisão, tomada na passada sexta-feira pelo presidente do Curdistão iraquiano, Masud Barzani, provocou duras críticas por parte da comunidade sunita, que considera que se trata de um mais passo pela independência do território curso.

Mas todas as comunidades criticaram Barzani, que teve de se defender no parlamento.

Começou por dizer que não aceitava nenhum acto de provocação. “Se quisessem a independência, era fácil separarem-se do Iraque, sem hesitações ou medos. O tempo das ameaças acabou. Agora fazem parte de uma espécie de Iraque federal. Constituem uma parte inseparável e os programas aprovados pelo governo e pela presidência apenas darão mais força ao Curdistão, tanta quanto aquela que têm as cidades sunitas”, concluiu.

O Curdistão é o Estado-fantasma entre o Iraque, a Turquia, a Síria e o Irão.

O Iraque transformou-se no país que é hoje depois do Tratado de Sevres, de 1920, que dissolveu o Império Otomano depois da derrota na Primeira Guerra Mundial e deu aos britânicos o controle sobre o Iraque.

Apesar de o tratado prometer que os curdos receberiam seu próprio país, o Curdistão, o sonho foi por água abaixo.

Os curdos do Iraque, que constituem perto de 20 por cento da população, sofreram perseguições e limpezas étnicas durante o regime de Saddam Hussein, pelo qual este responde no Supremo Tribunal Penal do Iraque.

A revolta curda de 1991 levou à criação de uma zona de segurança e de um estatuto de autonomia. Actualmente é como um Estado semi-independente, com as próprias administrações e insfra-estruturas políticas, forças armadas e uma tranquilidade que atrai mais investidores que o resto do país.

Depois da queda de Saddam, os curdos obtiveram vitória com a eleição de um dos seus à frente do país, Jalal Talabani.

Mas a questão da bandeira voltou a acender os ânimos e a tornar mais difícil a defesa dos interesses curdos com a reconciliação nacional.

Num comunicado marcado pela ambiguidade, Talabani defendeu a decisão de Barzani, apoiando-se num “vazio constitucional”, até porque o governo interino já tinha decidido mudar a bandeira iraquinana.