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Viktor Yanukovitch, antigo candidato à presidência da Ucrânia

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Viktor Yanukovitch, antigo candidato à presidência da Ucrânia

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Dois anos depois da revolução laranja, Viktor Yanukovitch, antigo candidato à presidência da Ucrânia, está de volta ao primeiro plano da política no país. Esteve em Bruxelas esta semana… pela primeira vez como primeiro ministro ucrâniano. Como resultado da reforma constitucional, a última herança do antigo presidente Leonid Kuchma, Yanukovitch conquistou uma parte considerável do poder no plenário ao seu antigo rival nas eleições, o actual presidente Victor Yuschenko. A Euronews quis ouvir as suas opiniões sobre a “nova Ucrânia”.

Euronews: como é que avalia o seu retorno ao poder? Sente que é uma vingança?

Yanuckovich: Eu acho que nunca cheguei a deixar a política, mas por outro lado é como se estivesse a começar agora. Porque na verdade a minha iniciação na política a sério só aconteceu durante as eleições presidenciais… e, de facto eu diria, quando estive na oposição. Porque me parece que, antes de passarmos pela oposição nunca poderemos ser políticos verdadeiramente.

Euronews: Com quem é que foi mais fácil trabalhar- Leonid Kuchma ou Victor Yuschenko?

Yanuckovich: No sistema político que tivémos até 2006, o Presidente e o Governo eram sempre os bodes expiatórios. Eram os culpados. Nessa altura o nosso presidente era duplamente pressionado. um pouco como um atleta olímpico. O governo puxava por um lado e o parlamento por outro. E o Estado, o povo, toda a gente sofria por causa desse sistema. Por outras palavras, o sistema não era muito eficaz.

Euronews: A política externa e interna ucrâniana mudou de direccção, agora que a coligação laranja tem menos lugares no Parlamento e o seu partido azul e branco detém a maioria? O que é que a Europa pode esperar destas mudanças?

Yanukovich: Estou convencido que não houve uma mudança de direcção. O que vai mudar, e vai mudar substancialmente, são as nossas estratégias. Vão tornar-se mais concretas, mais dinâmicas. A nossa tarefa consiste em tornara a nossa política mais previsível. E esse é o objectivo das reformas que nós queremos fazer. Porque pela primeira vez, desde que nos tornámos independentes, temos um mecanismo que permite realmente que o parlamento e o Governo trabalhem juntos. Aquilo que aconteceu em 2004 foi uma explosão por parte das pessoas. E isso aconteceu porque acumularam uma quantidade enorme de sentimentos negativos em relação à situação política. E por isso é que as pessoas quiseram uma mudança. Todos, tanto do lado dos apoiantes “aranjas”, como dos apoiantes “Azuis e Brancos”

Euronews: A ideia de “Um país-duas vitórias” presume que houve concessões de ambos os lados. Quais foram as vossas concessões?

Yanukovich: Ambos os lados tiveram que admitir os erros cometidos ao longo dos últimos dois anos. E conseguimos fazê-lo. Foram precisas longas negociações, que às vezes se estendiam noite dentro. Nós temos mais coisas em comum do que diferenças. E isso permitiu uma união. De qualquer modo não seria possível continuarmos a bater-nos para sempre. No final, a paz tinha de vencer. E os políticos tinham necessariamente que fazer concessões.

Euronews: Bruxelas acredita que o caminho da Ucrânia em direcção à União Europeia deve passar pela Organização Mundial de Comércio. Em que ponto é que estão as negociações com a OMC?

Yanukovich: Estamos na fase final. Ainda temos que assinar mais dois protocolos com o Quirguistão e com Taiwan. E o nosso governo tem que aprovar 21 leis. Tudo isto tem de ser feito o mais rapidamente possível.

Euronews: O Inverno aproxima-se. O Problema à volta do fornecimento de gás russo para a Ucrânia, e para a Europa, é sério. Muitos julgaram que seria mais fácil ser você a negociar com a Rússia. Que progressos é que conseguiu?

Yanukovich: Bom, eu não quero falar sobre uma má situação, mas vou ter que falar sobre as decisões tomadas, em 2005 e em parte em 2006. As pessoas encarregues do assunto não eram competentes, não eram o género de pessoas que deviam tomar decisões. O Governo de Julia Timoshenko iniciou uma mudança na natureza das relações entre a Ucrânia e a Rússia, incluindo os acordos sobre o gás utilizado pela Ucrânia e o gás que é transportado através dos gasodutos para a Europa via Ucrânia. A Rússia reagiu a essa situação e já sabemos como é que o assunto acabou. O nosso Governo decidiu resolver os problemas que impedem as nossas relações económicas mútuas. Outro problema é a garantia da distribuição de gá para a Europa. O que é que devemos fazer? temos que trabalhar juntos e começar a armazenar reservas de gás suficientes para os depósitos ucrânianos para que contenham um volume de 24, 7 mil milhões de metros cúbicos. A ucrânia tem que construir um elo sólido de relações entre a Europa e a Rússia.