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Esquelético deixou de ser "in"

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Esquelético deixou de ser "in"

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No início da década de 90, silhuetas como a de Kate Moss ainda eram as mais procuradas pelos estilistas, mas a extrema magreza está longe de ser tendência no século XXI. Ao pesadelo dos nutricionistas, juntam-se agora os donos das passereles: todos contra a anorexia.

Em Espanha, onde um milhão de jovens sofre da doença, a organização do evento de moda Passarela Cibeles, proibiu a participação de 30 por cento dos modelos previstos devido ao peso, inferior ao normal para a estatura. O estilista, António Pernas, explica que chegaram todos a um acordo. O objectivo é o de evitar que as imagens dos modelos influencie de maneira negativa os mais jovens.

Madrid impôs os critérios do bom senso: para 1,75 m de altura, pelo menos 57 quilos. A massa corporal passa a fazer parte do critério de selecção e deve corresponder pelo menos ao índice 18, o nível mais baixo aceite pela Organização Mundial de Saúde. A maioria das mulheres tem de 22 a 26 de massa corporal.

Depois dos desfiles de Madrid, Londres e Milão parecem querer seguir o exemplo e zelar pela saúde pública. A anorexia é a doença mental que mais mulheres mata no mundo, cerca de 6 a 10 por cento das pacientes. Os mais vulneráveis são os adolescentes, considerados mais sensíveis às mensagens do mundo da moda.

Numa época em que a obesidade atinge níveis preocupantes, o contraste com os ícones das passereles e do espectáculo propaga comportamentos pró-anoréxicos. Na Argentina ou no Sul de Espanha, as autoridades impuseram a mesma interdição na venda de vestiário abaixo do 38, equivalente ao 36 espanhol.

A manequim Catherine, desculpa-se: “sabe, as roupas parecem melhor numa rapariga magrinha por isso as pessoas as procuram. Mas a moda, em geral, vira-se para raparigas maiores. Já querem miúdas com peito, com curvas, com números maiores. É natural que vá no sentido em que a população vai, desde que continuem a querer-nos dentro de um vestido.” Mas a saúde está na moda com o apoio das grandes marcas, que propõem tamanhos maiores, mais adaptados aos novos tempos. Magra em excesso deixou de querer dizer magrérrima; passou a ser esquelética. Muito mal vista.