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Barroso pugna pela Europa unida, está contra 25 minis-mercados energéticos e lança aviso à Turquia

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Barroso pugna pela Europa unida, está contra 25 minis-mercados energéticos e lança aviso à Turquia

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A sombra do Não à Constituição Europeia paira sobre o discurso de Durão Barroso, enquanto este põe em marcha uma agenda carregada de questões sociais. Na sua primeira entrevista na rentré política, o presidente da Comissão apela aos 25 para serem mais coesos em matéria de imigração, energia, defesa e política externa… e deixa o aviso à Turquia para respeitar os compromissos com Bruxelas.

EuroNews: Quais são as políticas para os cidadãos que a Comissão Europeia pretente pôr em marcha nos próximos meses?

Durão Barroso: Em termos de iniciativas concretas, posso dizer que, no conselho informal de Lathi, na Finlândia, no mês de Outubro, vamos apresentar sugestões para uma política de inovação mais agressiva na Europa. Queremos apresentar a proposição formal, a criação de um instituto europeu de tecnologia com base numa rede, mas poderá ser, digamos, o grande projecto emblemático, mobilizador, para a pesquisa e inovação na Europa. Uma pesquisa que não queremos apenas dentro das universidades, mas também em ligação com as economias mais competitivas na Europa. Trabalhamos também sobre um pacote energético que apresentaremos no início do próximo ano.

EuroNews: Pensa que, para fazer face às reformas económicas, os Estados membros devem, talvez, abandonar um pouco a via estritamente nacional e proceder sob uma via europeia?

Durão Barroso: Precisamos de ambas as vias. A estratégia de Lisboa trata disso. Os esforços de reforma ao nível nacional, mas acompanhados também de medidas a nível europeu. Disse bem, que há preocupações de carácter social, é preciso, ao mesmo tempo , ter medidas sociais para os que podem ser afectados pelos processos de restruturação. Mas de uma maneira geral, podemos dizer que começamos a ver os efeitos positivos de certas reformas; a verdade é que temos um crescimento bem superior ao que se registou nos últimos anos. A criação de emprego na Europa, este ano, é a mais elevada desdes que temos estatísticas nos 25 Estados membros. Portanto, a Europa está em melhor forma agora do que há dois anos.

EuroNews: Sim, mas o que é um facto é que isso tem um preço e, normalmente toca aos dividendos sociais. Por exemplo, nas pensões, há países onde houve reformas nesta área e para certas faixas da população foram dolorosas…

Durão Barroso: Sem dúvida que houve problemas, mas, de uma maneira geral, creio que o mais importante foi conseguir criar mais emprego. O desemprego está, geralmente, a um nível mais baixo que nos anos precedentes. Isto é muito importante, creio que dá razões de confiança à Europa. Mantenhamo-nos lúcidos, pois ainda não é suficiente, é preciso mais crescimento para ter mais emprego, mas, de uma maneira geral, podemos dizer objectivamente, que a Europa está mais preparada agora do que há dois, três anos, sobretudo para a globalização.

EuroNews: Que política energética comum vai a Comissão Europeia propôr?

Durão Barroso: Estamos a explicar no interior da União Europeia que é no interesse de todos os Estados membros evitar a fragmentação. É irracional, e peso as palavras, é irracional ter 25 mini-mercados de energia. Precisamos utilizar o potencial do mercado único também no domínio da energia. É também do nosso interesse falar a uma só voz com os outros parceiros, a Rússia e outros países também fornecedores. Ao mesmo tempo dizemos à Rússia que se temos interesse em que seja uma fornecedora credível a Rússia também tem interesse numa Europa consumidora credível que pague suficientemente bem.

EuroNews:
Brevemente, vai viajar para África. Tratando-se do Sudão, estatá esta viagem, de alguma forma, ligada à questão da guerra contra o terrorismo?

Durão Barroso: Hoje em dia tudo está ligado a nível internacional. Mas, efectivamente, a principal razão desta minha viagem não é a questão anti-terrorista, é, antes do mais, uma reunião com a Comissão da Comissão da União Africana e vamos a Adis Adeba iniciar o diálogo sobre imensas questões, nomeadamente sobre a imigração. Porque, aí, temos efectivamente um problema que só podemos resolver todos juntos e não com medidas de segurança… devemos ajudar e esperar pelo desenvolvimento, a longo prazo, dos países de origem da imigração, é essencial. Vou também ao Sudão porque é lá que há o problema trágico de Darfur. Quero falar com as autoridades sudanesas, explicando com clareza a nossa posição, perante esta tragédia humanitária. Não procuramos protagonismo, o que me interessa são resultados. O que precisamos fazer enquanto União Europeia, e aí os Estados membros têm a maior responsabilidade, é falar a uma só voz, pois a Europa pode contar muito mais no mundo se tiver uma verdadeira política externa comum, o que ainda não tem, e se tiver, um dia, uma política de defesa comum, o que também não tem.

EuroNews:
O que propõe e que posição pensa dar à Comissão Europeia no debate e no processo marcado para Outubro sobre a Constituição Europeia?

Durão Barroso:
Propus, e foi aceite pelo Conselho Europeu, que possamos celebrar o Quinquagésimo Aniversário do Tratado de Roma, momento da fundação da nossa comunidade, para dar um novo fôlego, obter uma declaração política que possa tornar-se no contexto político para encontrar a solução, posteriormente, para a questão institucional. Mas ainda não chegámos lá. Efectivamente, haverá mudanças nalguns Estados membros muito importantes na comunidade, nomeadamente em França, que é um país que votou Não. Isto ainda é, do ponto de vista da Comissão, um pouco prematuro: não estamos em vias de propôr a solução porque ela não é da nossa responsabilidade, mas queremos ajudar os Estados membros porque isto é um Tratado entre eles. Acredito que estamos a avançar nesta reflexão com a opinião pública dos Estados membros para encontrar uma solução para a questão institucional. Esta questão deve ser resolvida, é importante e urgente, mas não devem ser cometidos novos erros.

EuroNews:
Uma última questão: a Turquia.

Durão Barroso:
De momento não estamos muito encorajados pelas notícias que recebemos. É preciso que a Turquia compreenda que deve respeitar as obrigações e os compromissos. Nomeadamente as obrigações do protocolo de Ancara, ou seja, garantir o acesso dos navios cipriotas aos portos turcos, são navios de um Estado membro da União Europeia. No início do mês de Novembro, vai ser publicado o nosso relatório sobre o estado das negociações com a Turquia. O que posso garantir é que se trata de um relatório honesto, objectivo e rigoroso.

EuroNews:
É de esperar uma suspensão das negociações?

Durão Barroso: Não quero antecipar as coisas. faremos um relatório muito honesto, muito objectivo e muito rigoroso.