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Sob o signo da divisão

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Sob o signo da divisão

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Dez anos depois da guerra, os bósnios continuam profundamente divididos sobre o seu futuro político. Um futuro condicionado pelo filtro étnico que separa muçulmanos, sérvios e croatas. Desde a assinatura dos Acordos de Dayton, em Dezembro de 1995, as três comunidades são obrigadas a cohabitar dentro das fronteiras internacionais da Bósnia-Herzegovina, cujo território está dividido en duas entidades políticas:

A República Srpska, com 30 % da população e a Federação Croato-muçulmana, com 70%. O objectivo principal da constituição da Bósnia-Herzegovina foi acabar com a guerra. O texto fundamental proíbe a secessão das suas entidades políticas. Mas na Republica Srpska persiste a ideia da separação: Existe mesmo a ameaça de fazer um referendo sobre a auto-determinação caso o Kosovo se torne independente. Milorad Dodik, primeiro-ministro cessante e líder da Aliança dos Sociais-democratas Independentes, sublinha a existência de divergências.

“A actual situação é que metade dos cidadãos da Bósnia-Herzegovina não querem a República Sérvia, e a outra metade não quer a Bósnia-Herzegovina”, diz o ex-chefe de governo. A reconstrução nacional é lenta e é prejudicada pela ausência de uma visão comum entre os três grupos. Na Federação Croato-muçulmana, a maioria dos muçulmanos deseja uma Bósnia unificada.

O chefe do Partido para a Bósnia-Herzegovina, antigo ministro dos negócios estrangeiros bósnios durante a guerra, Haris Silajdzic defende a supressão das entidades: “A divisão étnica na Bósnia Herzegovina é o resultado da agressão e do genocidio. Não é natural para a Bósnia. Os problemas da Bósnia, vieram de fora”, afirma Haris Silajdzic.

Mas para os croatas mais nacionalistas, o sonho continua a ser o mesmo que em 1991 : uma ligação à mãe-pátria. Ivo Miro Jovic, do partido Democrata Croata, não esconde esse desígnio quando lança o apelo: “Luta pelo teu estado da Bósnia-Herzegovina, luta pela tua pátria da Croácia.”

Com o fim do protectorado internacional previsto para 2007, desaparece a figura do Alto Representante da Comunidade Internacional e emissário da União Europeia, que detém plenos poderes executivos. Para já, os 25 não prevêem retirar os seus 6300 soldados da Bósnia-Herzegovina. O sucesso da transição poderá ser a ante-câmara de uma adesão à União.