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Comunidade internacional teme ataques à liberdade de expressão

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Comunidade internacional teme ataques à liberdade de expressão

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O homicídio de Anna Politkovskaya lança uma sombra sobre a liberdade de expressão na Rússia e preocupa a comunidade internacional, que se mobiliza para exigir uma investigação eficaz e imparcial ao crime. Da parte das autoridades russas continua sem existir uma reacção oficial a propósito do homicídio. Esta tarde em Moscovo, milhares de pessoas homenagearam também a jornalista, num protesto contra a deterioração dos laços entre a Rússia e a Geórgia.

Na redacção da Novaia Gazeta lamenta-se o número de jornalistas mortos durante a presidência de Vladimir Putin, que ultrapassa já a dezena.

Oleg Panfilov, do Centro de Jornalistas em Situações Extremas, considera que, “no país, foi criada uma atmosfera de ódio em relação aos jornalistas, nomeadamente em relação a jornalistas honestos, como Andrei Babitsky e Anna Politkovskaya.”
E prossegue: Agora, independentemente da forma como o governo vai tentar justificar-se, duvido que o presidente Putin diga algo a respeito desta morte.”

Anna Politkovskaya foi assassinada ontem ao final da tarde no prédio em que morava no centro de Moscovo.

Gravações de câmaras de vigilância permitiram ver um suspeito: um homem vestido de negro com um boné, que saía apressadamente do edifício.

Entre aqueles que admiravam o trabalho da jornalista, lamenta-se a perda de uma voz crítica do regime.

“Costumava escutá-la na rádio. Habitualmente, ouço a Rádio Liberty e a Eco de Moscovo. Ouvi-a há apenas dois dias e pedi a Deus para a proteger. Isto é tudo muito doloroso”, diz uma habitante de Moscovo.

Anna Politkovskaya era conhecida pelas posições anti-Kremlin e pelas denúncias dos atropelos aos direito humanos cometidos pelas forças russas na Chechénia.

Actualmente, a jornalista de 48 anos estaria a preparar um trabalho sobre a tortura na república separatista, que implicaria directamente Ramzan Kadyrov, o primeiro-ministro do território nomeado por Vladimir Putin.