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Última oportunidade para a Paz

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Última oportunidade para a Paz

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A Irlanda do Norte vive um momento crucial. As negociações que começam esta semana constituem a última oportunidade para resolver uma crise que dura há três décadas. Sem um acordo, o governo da província regressa definitivamente à alçada de Londres.

Em Abril de 1998, católicos-republicanos e protestantes-unionistas alcançaram um entendimento histórico, conhecido como os Acordos de Sexta-Feira Santa, que deveria culminar na criação de instituições autonómicas partilhadas pelos dois campos. Mas, quatro meses depois, a localidade de Omagh foi palco do atentado mais sangrento na Irlanda do Norte. O ataque terrorista foi reivindicado pelo auto-denominado IRA-Verdadeiro, um movimento dissidente do Exército Republicano Irlandês (IRA).

Em 2002, a assembleia de Stormont foi suspensa depois de quatro anos de uma vida carregada de desconfiança. A gota de água foi a acusação de espionagem, no seio da assembleia, ao encontro do IRA. A questão do desarmamento do Exército Republicano Irlandês envenenou as tentativas seguintes para relançar o processo de paz. Depois de ter desmantelado as estruturas militares, o IRA anunciou no ano passado a intenção de renunciar à violência, o que foi confirmado pela comissão de peritos na semana passada.

Contudo, as suspeitas persistem. A morte do católico Robert MacCartney à saída de um bar em 2005 foi atribuída ao IRA, o que os protestantes consideraram como uma prova de que o exército secreto não tinha riscado a violência da sua cartilha. O desenrolar das negociações repousa agora nas mãos de um homem de 80 anos. Ian Paisley lidera o maior partido unionista e recusa partilhar o poder com o Sinn Fein – o braço político do IRA.

O futuro das crianças da Irlanda do Norte depende da resolução dos conflitos do passado. Resta saber qual o papel que pode desempenhar Tony Blair. A poucos meses de abandonar o executivo de Londres, Blair gostaria de ser recordado como o primeiro-ministro que alcançou a paz na Irlanda do Norte.