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Bairro parisiense recorda jovens falecidos há um ano e na origem dos motins

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Bairro parisiense recorda jovens falecidos há um ano e na origem dos motins

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Clichy-sous-Bois, nos arredores de Paris, recordou Zyed e Bouna, os dois adolescentes que há, precisamente, um ano morriam electrocutados, quando fugiam da polícia, dando origem a três semanas de motins em França. A marcha silenciosa, que juntou mais de um milhar de pessoas, teve paragem obrigatória no fatídico transformador eléctrico e na escola onde estudavam. Aí foi inaugurada uma placa em memória dos jovens de 15 e 17 anos.

Para muitos, a morte de Zyed e Bouna foi inútil. “Mortos por nada” foi mesmo o slogan escolhido para a iniciativa, liderada por familiares e autoridades municipais, para dizer que nada ou quase nada mudou. Amor Bouna, pai de Zyed, afirma que “a solução não é impor restrições aos jovens, deixá-los em casa ou proibi-los de sair. A solução é encontrar-lhes trabalho e criar centros de formação”.

O protesto permitiu ao presidente da câmara de Clichy-sous-Bois enviar apelos à calma. Um ano depois, a tensão é grande nos bairros sensíveis, com o governo a tentar conciliar política social e luta ao crime. O pessimismo reina e todos temem uma nova explosão de violência, após a multiplicação de incidentes nas últimas semanas.

Um dos participantes da marcha diz que nada mudou, pensa mesmo que piorou, que há sempre a insegurança, a polícia que se comporta mal, ou seja, sempre a mesma coisa. Mas outros habitantes sentem mudanças na atitude das pessoas, um pouco graças aos dois jovens mortos. Conta que as pessoas respeitam mais o bairro de Clichy-sous-Bois. Antes falavam do bairro difícil, agora dos novos projectos programados. A marcha coincidiu com a revelação dos avanços do inquérito em curso à morte dos dois jovens. Vários polícias vão ser ouvidos pela justiça, no final de Novembro, podendo vir a ser acusados de “não assistência a pessoa em perigo”.