Última hora

Última hora

Primeira reunião pública das ex-crianças do programa nazi "Lebensborn"

Em leitura:

Primeira reunião pública das ex-crianças do programa nazi "Lebensborn"

Tamanho do texto Aa Aa

A Alemanha enfrenta os fantasmas do passado. Pela primeira vez realizou-se uma reunião pública das antigas crianças do programa nazi para desenvolver a raça ariana, conhecido como “Lebensborn” – “Fonte de vida”. Cerca de 35 pessoas juntaram-se em Wernigerode, no Leste da Alemanha, sede da associação “Lebensspuren” – “Traços de vida”, que ajuda os seus membros a pôr fim ao estigma que os acompanha e a encontrar os pais biológicos.

Cerca de 20 mil crianças na Alemanha e Noruega, seleccionadas segundo especificidades da raça ariana, integraram o programa nazi criado em 1936. Eram criadas por famílias fiéis ao regime em dezenas de centros, conhecidos como quintas de criação com pais louros e de olhos azuis. Hans Ulrich Wesch, com 63 anos, conta emocionado as dificuldades que teve de enfrentar.

Após a guerra, com três anos de idade, passou de família em família na ex-Alemanha de Leste. Wesch nasceu em Wernigerode e tentou obter informações sobre o seu passado mas foi interrogado pela Stasi, que lhe disse que a organização que o criou era fascista e que os documentos foram destruídos.

Perdeu o emprego, mas não desistiu. Depois da queda do muro de Berlim contactou a associação. Quatro anos depois era informado de que tinham encontrado a sua mãe, mas foi aconselhado a não a ver pois esta, que já tinha 80 anos, podia rejeitá-lo. Acabou por a encontrar e descobrir as irmãs. No total a associação “Lebensspuren”, tem 60 membros e recorda à Alemanha um dos episódios mais sensíveis da sua história.