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Antigo líder da STASI morreu esta quinta-feira durante o sono

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Antigo líder da STASI morreu esta quinta-feira durante o sono

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O Homem Sem Rosto morreu esta quinta-feira em Berlim aos 83 anos. Markus Wolf, o antigo homem forte da contra-espionagem da STASI, a polícia política da RDA, faleceu em casa durante o sono, por coincidência no dia em que se assinala o 17º aniversário da queda do Muro de Berlim.

A alcunha de Homem Sem Rosto ganhou-a pelo facto das primeiras fotografias a revelarem a sua identidade terem sido obtidas apenas no final da década de setenta. Ao longo de mais de trinta anos de serviço na STASI, Wolf inspirou escritores e romancistas, entre os quais John Le Carré.

Convertido à literatura, após se ter retirado da espionagem em 1986, Markus Wolf apresentou na sua obra algumas posições críticas face ao regime de Berlim-Leste.

No entanto, durante o serviço activo, esteve na origem de algumas das mais espectaculares operações de espionagem de que há memória, como a infiltração de Gunther Guillaume na Chancelaria da RFA.

O espião alemão-oriental chegou a servir como secretário pessoal de Willy Brandt, o que levou à demissão do chanceler social-democrata após a revelação do escândalo.

Já fora da STASI, assistiu à queda do Muro de Berlim e foi forçado a refugiar-se durante dois anos na União Soviética após a reunificação alemã.

Ao regressar foi condenado a seis anos de prisão por traição à pátria, mas acabou por ver a sentença revogada, uma vez que estava ao serviço da RDA.

Em 1997, foi condenado a dois anos de pena suspensa num outro processo por sequestro, mas Wolf pôde acabar os seus dias em liberdade e, segundo o editor, na tranquilidade da sua casa em Berlim.