Última hora

Última hora

Referendo dos ossetas dá-lhes o que tinham e o que mais ninguém reconhece

Em leitura:

Referendo dos ossetas dá-lhes o que tinham e o que mais ninguém reconhece

Tamanho do texto Aa Aa

A passagem entre a Geórgia e a Ossétia do Sul não é propriamente uma fronteira. A comunidade internacional não reconhece a soberania do pequeno território, independente de facto desde 1991. A Ossétia do Sul tornou-se independente da Geórgia pelas armas, no calor do desmembramento da União Soviética. Os combates fizeram algumas centenas de mortos até ao cessar-fogo, no Verão de 1992.

Depois, cerca de 2000 soldados russos , georgianos e ossetas do norte e do sul, foram destacados para zelar pela manutenção da paz. O status quo foi adquirido com a chegada ao poder de Mikhail Saakashvili (em 2003) em Tbilissi, que, imediatamente, acusou os russos de apoiar os separatistas, o que Moscovo nega.

O presidente georgiano reclamou, então, uma força internacional e o respeito pela integridade territorial da Geórgia. Dizia que pela primeira vez em 12 anos, o governo georgiano oferecia autonomia sob os auspícios de uma supervisão internacional. Mas os separatistas queriam a independência e o reconhecimento internacional do território com 70 mil habitantes.

Um terço dos ossetas do sul, etnicamente, são georgianos, e não querem independência alguma. Organizaram, mesmo, um referendo alternativo em Eredvi, uma aldeia com população mista. O presidente do comité eleitoral, antigo conselheiro do líder independentista, exèplica que o seu objectivo não é deixar a Ossétia do Sul mergulhar na guerra, não se pode deixar dividir a nação numa parte georgiana e numa parte osseta.

Muitos georgianos fugiaram da Ossétia do Sul em 1992 e vivem em Gori, na Geórgia, aldeia muito conhecida por ter sido onde nasceu Estaline. Sobre a Ossétia do Sul a maioria pensa o mesmo que esta mulher: “Esperamos voltar, um dia, a Tskhinvali, toda a gente pensa o mesmo. Mas não quero que Tshinvali seja uma república autónoma. Porque, dentro de 10 ou 20 anos, este processo deve recomeçar outra vez e os nossos filhos serão obrigados a abndonar as suas casas”. Para cerca de 12 mil refugiados as perspectivas de futuro são as mesmas.