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Andrei Stratan: "A República da Moldávia caminha em direcção à União Europeia"

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Andrei Stratan: "A República da Moldávia caminha em direcção à União Europeia"

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Andrei Stratan é Ministro dos Negócios Estrangeiros e vice-presidente de um dos países mais pequenos de Europa: a Moldávia, situada entre a Roménia e a Ucrânia. Em 1991, o país declarou a independêcia, juntamente com as outras repúblicas soviéticas. No início dos anos 90, quando a região da Transdnistria, de maioria russófona, tentnou também ser independente, estalou um conflito que custou a vida a 1500 pessoas.

A Moldávia tem 4,5 milhões de habitantes. A língua oficial é o moldavo, mas a maioria da população fala romeno. Durante muitos séculos o país esteve integrado na roménia, além de que dois terços da população é de etnia romena.

A Transdnistria tem uma população de origem russa e ucraniana e é uma zona de forte implantação industrial. Teme-se, na região, que a Moldávia esteja à procura de uma unificação com a Roménia.

A região separatista continua a ser uma fonte de tensões para a própria Moldávia e para as relações deste país com a Rússia. Também pode ser fonte de instabilidade, num momento em que a União Europeia se alarga à Roménia e à Bulgária.

A EuroNews entrevistou Stratan sobre as soluções para este conflito.

Rudolf Herbert, EuroNews: No referendo de há algumas semanas, os habitantes da Transdnistria votaram a favor da independência da região, preparando o terreno para uma possível unificação com a Rússia. Até que ponto é possível chegar a uma solução para o conflito? De que forma?

Andrei Stratan, MNE moldavo: Não há dúvida de que o conflito pode ser resolvido, não só no interesse da República da Moldávia, como também da comunidade internacional, que nos deveria ajudar a resolver este problema e a identificar as posibilidades de resolução do conflito da Transdnistria.

EN: De que forma podem as organizações internacionais e a União Europeia ajudar a resolver este conflito?

AS: Estamos muito agradecidos pela posição construtiva da União Europeia nesta questão. Gostaria de destacar que se conseguiram muitas coisas, graças ao apoio dos Estados membros da União Europeia. Refiro-me à nomeação do representante comunitário na Moldávia, responsável pelo problema da Transdnistria.

EN: Qual o papel da Rússia neste diferendo?

AS: O papel da Rússia é importante, tal como o papel dos outros actores implicados no proceso de negociação. Houve várias rondas negociais, diversos procedimientos a nível bilateral, trilateral e multilateral. Tenho pena de dizer isto, mas nem a República da Moldávia, nem os nossos amigos conseguiram encontrar uma forma de chegar rapidamente à integridade territorial da Moldávia.

EN: Como descreveria as actuais relações do seu país com a Rússia?

AS: Enfrentamos um problema tanto económico, como comercial. Desde 2005, a Federação Russa tem vindo a bloquear a importação de produtos agrícolas e industriais produzidos na Moldávia. Em Março de 2006, a Rússia chegou a impôr un embargo aos produtos vinícolas do nosso país.

EN: O que há por detrás desta disputa económica?

AS: Existe uma situação semelhante à sofrida por outro país. Refiro-me à Geórgia. São as mesmas decisões, o mesmo enfoque, nesse caso deter as importações de produtos georgianos. Ao mesmo tempo, gostaria de mencionar que não encontrámos uma solução definitiva para a necessária importação de gás natural da Federação Russa. O acordo que assinámos termina no final deste ano. Actualmente, estamos a negociar este problema, tão importante para nós. É uma preocupação permanente.

EN: No dia um de Janeiro, a Roménia vai tornar-se num Estado membro da União Europeia. Que significa isso para o seu país, para a República da Moldávia? Há risco de se abrir uma brecha entre a Roménia e a Moldávia?

AS:Temos a firme convicção de que não vai existir essa brecha entre Estados-membros e países vizinhos. Vamos continuar a nossa cooperação multilateral com a União Europeia e as nossas relações bilaterais com a Roménia.

EN: Em termos de política externa, que direcção pensa tomar a República da Moldávia?

AS: A República da Moldávia caminha em direcção à União Europeia. O principal objectivo das nossas políticas interna e externa centra-se na integração na União Europeia. Estamos a criar as instituições de que precisamos, tanto a nível de governo, como a nível estatal, a fim de cumprir com uma questão muito importante para o nosso país.

EN: Qais são as perspectivas de integração?

AS: A nosssa perspectiva de nos convertermos em membros da União Europeia não depende só da República da Moldavia. Também depende da atitude e da posição construtiva da própria União Europeia e dos Estados membros.