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Que coligação para o governo holandês?

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Que coligação para o governo holandês?

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A principal incógnita em relação a estas legislativas antecipadas na Holanda é se os liberais vão continuar na aliança governamental ou se, pelo contrário, cedem o lugar aos trabalhistas. As sondagens dão a vitória provável ao partido democrata-cristão de Jan Peter Balkenende, o actual primeiro-ministro.

O seu programa de austeridade afectou bastante a sua popularidade antes que pudesse recolher os frutos dos índices económicos que hoje se afixam a um bom nível.. Aquele que ficou conhecido como Harry Potter com a sua imagem de menino sabichão e falta de carisma agrada bastante num país onde uma das frases favoritas é “age normalmente porque já és suficientemente louco assim”. Uma filosofia que , decididamente, não serve os interesses de Wouter Bos, o jovem sedutor trabalhista do PvdA.

Os trabalhistas, que esperavam ganhar o primeiro lugar depois dos excelentes resultados das municipais da passada Primavera, provavelmente terão de se contentar com a segundo posição e um lugar na coligação governamental, na qual Bos não será primeiro-ministro, apesar dos seus esforços para parecer credível.

Resta saber se os liberais do VvD, actualmente no poder, ou os socialistas do SP vão manter a fidelidade do eleitorado. Jan Marijnissen com o seu pequeno partido de extrema esquerda pode obter um terceiro lugar com os votos dos eleitores anti-reformas e anti-europa – o seu partido, aliaís, foi o único que falou da Europa durante a campanha eleitoral. Porque os temas aborrecidos ou quentes foram evitados: não só a Europa, mas sobretudo a imigração, a integração, que apesar de ser evitada nos debates públicos esteve sempre presente. Mas ninguém quis arriscar votos.

Depois do assassinato de Theo Van Gogh por um muçulmano radical em 2004 e a política muito restritiva da muito radical ministra da Imigração Rita Verdonk, o tema está omnipresente nas ruas. Mas os principais partidos andaram à volta da questão, falando apenas do uso das burqas. O único a trazer o problema à baila, foi Geert Wilders, herdeiro do populista de direita Pym Fortuyn, também assassinado. Wilders conta obter 25 por cento dos votos da extrema direita a quem dirigiu a sua campanha radical e nacionalista.