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Clã Gemayel paga com sangue as conquistas políticas

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Clã Gemayel paga com sangue as conquistas políticas

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Pierre Gemayel, o ministro libanês assassinado na terça-feira em Beirute, era descendente de uma das mais proeminentes dinastias de políticos cristãos que moldaram a vida do Líbano. De geração em geração, a família Gemayel pagou com sangue as suas conquistas políticas. “É mais um mártir na família. Antes dele o meu irmão, sobrinho e sobrinha foram mortos. Mas temos muita fé, não vamos deixar que ganhe a força do mal”, anunciou Amin Gemayel.

A história deste clã político confundiu-se durante muito tempo com a história da comunidade maronita. Originária de Bickfaya, no norte de Beirute, a família Gemayel deu ao Líbano um fundador de um partido, e vários ministros.Em 1936, o avô e homónimo de Pierre Gemayel cria o partido de direita falange cristã, que assenta em bases fascistas e lança o nacionalismo libanês.

No auge da guerra civil, em 1975 o avô de Pierre Gemayel arma os seus apoiantes para enfrentar grupos paramilitares palestinianos infiltrados a partir da Síria. A facção alia-se a Israel, um peso controverso que passa a carregar desde essa época.

O filho de Pierre, Bachir Gemayel, chefe do partido das forças libanesas, é eleito Presidente da República em Agosto de 1982, no seguimento da invasão israelita do Líbano. É assassinado um mês mais tarde e o seu irmão mais velho, Amine, acaba por lhe suceder. As milicias cristãs vêem-se envolvidas no massacre dos campos palestinianos de sabre e chatila no outono de 82.

No início do mandato de Amine Gemayel, que durará seis anos, o país do Cedro negoceia um tratado de paz com Israel. Mas a partida da força multinacional, após os atentados terroristas leva Amine a conviver com a Síria. Após o acordo de 1989 que põe fim à guerra civil, Amine Gemayel refugia-se com a família na capital francesa. Não votará ao país até 2000, o ano em que o seu filho mais velho, Pierre é eleito deputado. Reeleito em 2005 Pierre Gemayel era o membro mais jovem do governo de Fouad Siniora.