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Pinochet sem remorsos

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Pinochet sem remorsos

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“Não tenho qualquer remorso” – afirmava Pinochet, jurando não ter morto ninguém, não ter dado ordem para matar passoas, dizendo que esta situação era uma aberração.

Na semana do aniversário dos seus 91 anos (25 de Novembro) Pinochet emitiu uma nota em que assumia “responsabilidade política” pelo actos cometidos durante o golpe militar que, em 1973, o levou ao poder, dizendo que seu único motivo foi levar o Chile “a um ótimo lugar e prevenir sua desintegração”. Na nota, disse que a queda de Salvador Allende era necessária para livrar o país do risco de um caos político e social. Pinochet ficou no poder durante 17 anos. Mais de 3.000 pessoas foram mortas durante o seu governo. 28 mil chilenos foram torturados na sequência do golpe de Pinochet.

O regime que instituiu desde o ataque ao palácio de La Moneda, com o suicídio de Allende, o presidente esquerdista que o povo havia eleito, era sustentado por assassínios políticos, tortura e detenções ilegais, com esquemas montados para garantir a própria impunidade. Não conseguiu impedir que, em 1983, as manifestações populares reclamassem o regresso à democracia. Em 1990 teve de ceder o poder.

Todavia, continuou à frente das Forças Armadas até 1998, ano em que se tornou senador vitalício.

Foi assim que, acreditando na imunidade parlamentar, foi visitar a sua aliada de sempre, Margareth Tatcher, em 1998 a Londres, onde, por ordem do juiz espanhol Baltasar Garzon, foi detido durante 503 dias.

Foi libertado por razões humanitárias, regressando ao Chile no ano 2000. Foi constituido arguido e nove meses depois foi condenado a prisão domiciliária pelo juiz Guzman por causa da “Caravana da Morte”, um esqudrão Militar” que percorreu o país em 1973 para assassinar os opositores.

O Supremo Tribunal arquivou o processo em 2002 por demência ligeira do réu.

Em 2004, um novo processo é posto para julgar a Operação Condor – também serviu para eliminar os opositores. Desta vez, o Tribunal decidiu suprimir a sua imunidade.

Em Novembro de 2005, o ditador volta a ter de cumprir prisão domiciliária pela Operação Colombo, massacre de opositores em 1975, mas também pela fraude fiscal.

Em Julho de 2006, tornou-se público que Pinochet ficou milionário com o fabrico de cocaína em instalações do Exército. O tráfico controlado permitiu que o ditador e filho amealhassem grandes quantias de dinheiro distribuídas em bancos em todo o mundo.