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Investigação à morte de Litvinenko acende tensões entre polícias russa e britânica

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Investigação à morte de Litvinenko acende tensões entre polícias russa e britânica

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Quem matou Alexander Litvinenko, a pergunta que esta tarde percorria o cortejo fúnebre do antigo espião russo, envenenado com uma substância altamente radioactiva. Duas semanas após a sua morte, o corpo foi enterrado no cemitério londrino de Highgate, seguindo o rito muçulmano.

Para a família e amigos, presentes no funeral, Vladimir Putin continua a ser o principal culpado da morte do ex-espião e opositor ao Kremlin. Para Akhmed Zakaiev líder da guerrilha chechena, exilado em Londres, existe uma relação directa entre a morte do ex-espião e a aprovação há meses de uma lei russa que permite aos serviços secretos perseguir opositores no estrangeiro.

Segundo Zakaiev, Litvinenko, “era uma das poucas pessoas a ousar denunciar os crimes cometidos pelos seus colegas do KGB, como o fez Anna Politkovskaya. Os dois foram liquidados porque não se limitaram a denunciar, como apresentaram provas concretas do que diziam”.

Depois de Londres, Moscovo abriu igualmente um inquérito policial por assassínio intensificando o braço de ferro com a investigação levada a cabo pela Scotland Yard. Moscovo afirma que quer concentrar a investigação, nomeadamente o interrogatório de duas testemunhas hospitalizadas em Moscovo, Dmitry Kovtoune, um homem de negócios russo e Andrei Lugovoi um ex-espião do KGB. Ambos tinham contactado Litvinenko dias antes do seu envenenamento e ambos foram contaminados pela mesma substância radioactiva. As autoridades russas declararam hoje ter descoberto vestígios de polonium 210 na embaixada britânica em Moscovo onde Kouvtoune terá reunido com um diplomata dias antes de se encontrar com Litvinenko em Londres.

A diplomacia russa nega no entanto qualquer fricção. Para Seguei Lavrov, “a investigação da Scotland Yard não afecta as relações russo-britânicas”. Para o ministro dos negócios estrangeiros russo, “toda a polémica criada em torno do caso é culpa da imprensa britânica”.

O acesso da Scotland Yard a Andrei Lugovoi, previsto para hoje foi entretanto adiado. O seu associado, Dmitry Kovtoune encontra-se entretanto em estado crítico depois de ter sido ontem interrogado pelos investigadores russos e britânicos. O advogado de Kovtoune negou ao final da tard esta informação avançada pela agência russa Interfax.