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Pai do Turquemenistão estava no top dos ditadores

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Pai do Turquemenistão estava no top dos ditadores

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O mínimo que se pode dizer de Saparmurat Niyazov e do seu exagerado culto da personalidade é que era um excêntrico doentio. Do alto de uma coluna de 95 metros, a estátua dourada roda com o sol, leva o seu olhar aos quatro cantos do país. Representa Niazov, conhecido como Turkemenbachi, o pai dos turquemenos. Na capital do Turquemenistão, Ashgabat, as imagens do presidente são omnipresentes.

Há 21 anos que reinava na antiga república soviética como primeiro-ministro, comandante em chefe do Exército, líder do partido único e presidente vitalício. Dizia ele que era a vontade do povo, no mais puro estilo estalinista. O culto da sua pessoa estendia-se aos falecidos pais. Chegou ao ponto de rebaptizar a sua mãe, Gurbansoltan, de Turmenbashi. Niyazov nasceu numa família pobre. O pai morreu na II Guerra Mundial. E, 1948, perdeu o resto da família durante o sismo e Ashgabatt, por isso cresceu num orfanato.

Verdadeiro burocrata do partido, tornou-se engenheiro de formação e poeta por vocação, instituindo Roukhnama, uma espécie de guia político-espiritual, obra de referência obrigatória para todos os estudantes e funcionários do Turquemenistão. Como no tempo dos Khans, Niyazov gostava de oferecer aos convidados importanes um belo cavalo. Os lucros do petróleo entram directamente nos cofres do Estado mas a prosperidade não chega aos cinco milhões de turquemenos. A esperança de vida das mulheres é a mais baixa de todas as antigas repúblicas soviéticas.

Ficam para a posteridade as reformas de Niyazov: declarou que todas as doenças infeccosas são ilegais, incluindo a cólera e a sida; proibiu os jovens de usar barba, cabelo comprido e bigode; e proibiu o ballet. Niyazov gostava de usar grandes e vistosos aneis, e era considerado o terceiro dos cinco piores ditadores do mundo – o primeiro do top continua a ser Kim Jong Il.