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Conflito na Etiópia alastra a toda a região

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Conflito na Etiópia alastra a toda a região

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Um camião militar etíope avança Calcula-se que estejam aqui seis mil soldados etíopes. Não estamos em Addis Adeba mas em Baidoa, capital do governo transitório somali. Na verdade, o Corno de África está em brasa: os combates opõem os militares do governo transitório, de um lado, apoiados pela Etiópia, e as forças dos Tribunais Islâmicos, apoiados por oito mil combatentes estrangeiros que vêm fazer a guerra santa. É inegável a presença de terroristas internacionais.

As hostilidades abertas começaram na noite de 19 para 20 deste mês de Dezembro, horas depois do ultimato islâmico às tropas etíopes para deixarem o país, o que não aconteceu.

A Somália está dividida por 15 anos de guerra civil. As instituições de transição somali, em vigor desde 2004, foram insuficientes para restabelecer a ordem face à tomada de poder dos islamitas.

A Etiópia, berço da Cristandade em África, opõe-se firmemente ao poder dos Tribunais Islâmicos alegadamente controlados pela Al Qaida. Addis Adeba, principal aliado de Washington na região, apoia o governo de transição com 15 a 20 mil homens. O seu exército é um dos mais aguerridos de África.

Em frente, o principal rival da Etiópia na região, a Eritreia, é suspeito de apoiar os radicais islamitas. Tem mesmo dois mil soldados na Somália. O objectivo é enfraquecer Addis Adeba. A guerra entre os dois países entre 1998 e 2000 fez mais de 80 mil mortos.

Os negociadores de ambas as partes devem encontrar-se para conversações, em Cartum, em meados de Janeiro. Uma força internacional de paz deve ir para a Somália, o que ainda é incerto. As experiências passadas desastrosas atrasam a intervenção.

Quanto à Etiópia: se a sua intervenção continua, arrisca-se a uma derrapagem à iraquiana.