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Saddam enforcado em nome da unidade e estabilidade do Iraque

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Saddam enforcado em nome da unidade e estabilidade do Iraque

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Saddam Hussein filmado nos seus últimos momentos de vida, transformou-se de novo num trunfo no combate pela estabilização do Iraque.

O ex-ditador foi executado esta madrugada numa antiga base dos serviços secretos do seu regime em Bagdade, hoje controlada pelo exército americano.

Aparentemente impassível frente a 14 testemunhas iraquianas, nas suas últimas palavras endereçou críticas à coligação xiita e sunita no poder – que classificou de “coligação iraniana” – e murmurou uma preçe muçulmana, acompanhado pelo Corão.

O cadáver do ex-ditador, filmado por um telemóvel surgiria 10 horas depois nos ecrãs de televisão. O corpo de Saddam que foi removido de helicóptero será enterrado em local desconhecido.

Festejado por xiitas e curdos, o desaparecimento de Saddam foi acolhido com algum mutismo pelos sunitas. A aplicação da pena capital ocorre no mesmo dia em que a comunidade celebra a festa santa que encerra o Hadj, a peregrinação anual dos fiéis muçulmanos a Meca.

Num comunicado difundido na Internet o extinto partido Baas de Saddam promete vingar a morte do ex-ditador apelando à retaliação sobre americanos e xiitas.

As autoridades vão prolongar para os próximos dias o recolher obrigatório imposto ontem em diversas cidades.

Saddam tinha sido condenado em Novembro pelo tribunal especial iraquiano pela morte de 148 xiitas em Dujail em 1982 em resposta a um atentado falhado.

Três anos e meio após a intervenção militar norte-americana pôr fim ao regime de Saddam, o governo iraquiano espera com o enforcamento dissuadir os opositores.

A execução dos dois co-réus no processo de Dujail foi mesmo adiada para dar maior visibilidade à saída de cena de Saddam.

Em Washington George Bush considerou a execução de Saddam como mais uma etapa no caminho para a estabilização no Iraque, sublinhando no entanto que por si só não basta para pôr fim à violência no país.