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UE: desilusão quanto ao alargamento é um sintoma, diz Comissário

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UE: desilusão quanto ao alargamento é um sintoma, diz Comissário

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Olli Rehn é o Comissário Europeu para o alargamento. O cepticismo que está a alastrar a nível europeu, diz-lhe, particularmente, respeito. Este cansaço afecta todo o processo de integração europeia. De facto, o Comissário finlandês também teve de encarar o fracasso de oito capítulos da negociação com a Turquia e do acesso da Roménia e a Bulgária à União Europeia no primeiro de Janiro de 2007.

EuroNews: – Comissário Rehn, acha que o Concelho da Europa reconhece oficialmente que há um determinado cansaço no processo de alargamento da União Europeia?

Olli Rehn: – Fala-se muito de cansaço no processo ou, o “blues” do alargamento, mas também se pode falar do mesmo descontentamento em relação ao desemprego ou à globalização, e até à segurança social. Por outras palavras, a desilução do alargamento é mais um sintoma do que uma causa e as causas são produto do descontentamento social com o alto nível de desemprego e o sentimento de insegurança dos cidadãos.

EuroNews: – Os Estados membros admitem que é preciso um novo Tratado antes de um novo alargamento e é a primeira vez que fazem essa exigência…

Olli Rehn: – Esse é o poder de persuasão da União Europeia, encorajar a transformação democrática e económica dos países candidatos, agora no Sudeste europeu, nos Balcãs e na Turquia. Ao mesmo tempo este mecanismo está muito avançando, mas não são coisas que se excluem mutuamente, é importante continuar com ambos os processos para aprofundar e apliar a União Europeia. Esta é a história e a história da União Europeia, por isso temos de manter ambas: aprofundamento da integração europeia e a ampliação gradual da paz e da liberdade.

EuroNews: – Se o povo da Europa não faz parte deste processo como podemos justificar o alargamento em matéria de exportação de valores democráticos?

Olli Rehn: – De facto, é extremamente importante que a política de alargamento da UE, como qualquer outra política europeia, tenha um sólido apoio popular. Por isso, a primeira coisa que há a fazer é saber vender bem o nosso produto, ou seja, temos de consolidar a nossa agenda do alargamento sem exigir demasiado, mas, ao mesmo tempo é importante que aprendemos a comunicar melhor determinados acertos e desafios para o alargamento. A capacidade de integração continuará a ser um valor importante no futuro, o que significa que temos de pôr em ordem as nossas casas, tanto em termos de reformas e decisões como na questão da revisão das perspectivas financeiras.

EuroNews: – Tem, pessoalmente, medo de perder a Turquia?

Olli Rehn: – Devo dizer que estou um pouco preocupado quanto a alguma manipulação : a Europa está a perder a Turquia. Porque quem manipula nesse sentido, principalmente nos Media britânicos e americanos, deve ter algum cuidado para que não se cumpra nenhuma profecia. Algumas pessoas na Turquia tomam o debate à letra e contribuem para que as relações bilaterais entrem numa espiral negativa, para o círculo vicioso que se vê. Alguns, no debate público, tendem a esquecer que a razão pela qual a União Europeia tomou a decisão de não abrir os oito capítulos, e continua a discussão dos 27 capítulos, o que é apenas o resultado da Turquia não ter cumprido as suas obrigações contratuais.

EuroNews: – A Bulgária e a Roménia vão ser membros da União Europeia. As coisas vão mudar? Bulgaria and Romania are going to be soon new members of the EU. Do you think that things will change?

Olli Rehn: – A vida vai mudar, ou pelo menos as condições de vida de 30 milhões de indivíduos, 30 milhões de cidadãos da Bulgária e da Roménia que, a partir de 1 de Janeiro, são também cidadãos europeus. Para a União Europeia é um importante passo porque completa-se assim a quinta ronda do alargamento, que em grande parte teve lugar em 2004. Esse alargamento acabou definitivamente com os restos do Muro de Berlim, a Cortina de Ferro, alarga a União até ao Mar Negro e dá à Europa um poder muito significativo no sudeste do continente.