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A difícil substituição de poderes em Mogadíscio

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A difícil substituição de poderes em Mogadíscio

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É a segunda vez em seis meses que um “novo poder” chega a Mogadíscio. Após expulsar os Tribunais Islâmicos que controlavam a capital desde Junho, as forças que apoiam o governo de transição do primeiro-ministro Ali Mohamed Gedi prometem, tal como os antecessores, o fim de 15 anos de instabilidade na Somália.

No entanto, o apoio militar dos Estados Unidos e da Etiópia poderá pôr em causa a legitimidade do executivo somali para alcançar a paz com as milícias e os senhores da guerra.

A Etiópia, um país cristão aliado de Washington, participou com 12 mil militares na ofensiva das últimas semanas.

No quadro regional, a operação militar justificada pela guerra contra o terrorismo poderá aumentar as “fricções” entre países aliados dos Estados Unidos e os simpatizantes do Conselho de Tribunais Islâmicos. Washington diz que as milícias escondem membros da Al-Qaeda, mas muitos somalis viam o regime islâmico como um raro momento de estabilidade no país.

O Grupo de Contacto criado no ano passado sob pressão norte-americana enfrenta assim um difícil desafio.

Para colocar efectivamente em funções o governo transitório constituído em exílio no Quénia em 2004 e apoiado pelo Ocidente, tem primeiro de constituir uma força internacional que substitua as tropas etíopes, com uma presença bastante contestada na Somália.

O contingente de 8 mil homens aprovado em 2005, sob controlo da União Africana, tem sido adiado pela ameaça de resposta armada dos islamistas à ingerência estrangeira.

Stefano Manservi é o responsável da Comissão Europeia para o Desenvolvimento: “Também defendemos que uma operação militar não é suficiente para lutar contra o terrorismo; é necessária uma operação de reconstrução social. A sociedade somali foi destruída pela falta de um poder central durante muitos anos, durante os quais os senhores da guerra tiveram a oportunidade de assumir eles mesmos o papel do Estado.”

Muitos receiam que a nova troca de poderes signifique um regresso à instabilidade. Na memória, estão ainda os acontecimentos de 1995, que resultaram na expulsão das forças de paz da ONU que procuravam um acordo entre os senhores da guerra.