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Alterações climáticas e economia

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Alterações climáticas e economia

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As consequências económicas catastróficas do aquecimento climático, previstas pelo relatório Stern, começam já a fazer-se sentir nalguns sectores. Na Áustria, como em França ou na Alemanha, a falta de neve deixa os trabalhadores no desemprego e arruína as economias locais.

Um relatório da OCDE refere que o aquecimento nos Alpes é 3 vezes superior à média global. Com a subida de 1 grau da temperatura média, a Alemanha, por exemplo, irá perder 60% do seu domínio esquiável, algo que pode vir a acontecer em menos de 2 décadas.

Na Rússia, os ursos do Zoológico de São Petersburgo já estão a comer quando deviam sair da hibernação só em Março. Segundo um meteorologista russo, os últimos dados não deixam dúvidas, “o aquecimento global está a acelerar e a culpa é do homem”. Os cientistas afirmar que 2007 será o ano mais quente da história desde que há registos, um facto que se pode comprovar pelas temperaturas amenas deste Janeiro na Europa, a ultrapassarem por vezes os 20 graus, mesmo à noite.

É o caso da Madeira, mas também da Grécia, onde a primavera chegou em pleno inverno. As árvores estão em flôr, os pássaros não respeitam os ritmos migratórios naturais. O investigador responsável pelo observatório nacional de Atenas, refere que “a precipitação está num nível 20 vezes inferior ao normal”, “todo o ciclo da água foi afectado, o que é um bom indicador da influência do Homem no clima”. As alterações mais notórias são visíveis nos ecossistemas aquáticos. Certas espécies de peixes, ao contrário do habitual, ainda não apareceram nas redes dos pescadores no Mar Egeu. Outras romperam o ciclo de reprodução. A pesca e a agricultura, primordiais na Grécia, temem já a catástrofe.

Do outro lado do Atlântico a situação não é melhor. As estações do ano trocaram de costa. Em Nova Iorque anda-se de t-shirt em Central Park, enquanto que na Califórnia, os condutores não conseguem habituar-se à neve e ao gelo. Uma vaga de frio que obrigou o governador, Arnold Scharznegger, a decretar o estado de emergência em várias zonas agrícolas.

Que fazer face a este cenário, que alguns consideram mais perigoso que a ameaça nuclear? A solução passa por reduzir as emissões de gases que provocam o efeito estufa, uma missão difícil para Ban Ki-Moon, o novo secretário-geral da ONU, mas para a qual todo o planeta tem de contribuir, por uma simples questão de sobrevivência.