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Chambon-sur-Lignon única localidade na lista dos "Justos"

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Chambon-sur-Lignon única localidade na lista dos "Justos"

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Chambon-sur-Lignon, uma localidade do centro de França, faz parte da lista desses “Justos”, franceses, cidadãos anónimos, que durante a segunda guerra mundial salvaram muitos judeus dos campos de concentração nazis. São duas mil e setecentas pessoas como Berth Kitler, que aos 18 anos viu os seus pais acolherem um rapaz judeu, de três anos.

Ela conta que “a criança chamava o meu pai e a minha mãe papá e mamã e não queria que a minha mãe lhe desse o banho tinha que ser eu a lavá-lo e a deitá-lo.” Chambon-sur-Lignon é uma localidade protestante que escondeu milhares de judeus durante a guerra e por isso é a única localidade a fazer parte dos “Justos” de França.

Um tradição de resistência dos tempos ancestrais em que os próprios protestantes eram perseguidos pela igreja católica apostólica romana e que parece ter ficado gravada no subconsciente dos habitantes de Chambon-sur-Lignon. A homenagem desta quinta-feira não constitui a primeira condecoração destas pessoas, consideradas “Justos por entre as Nações” pelo memorial Yad Vashem, em Israel.

Para o historiador Gerard Bollon, habitante de Chambon-sur-Lignon, “quando um judeu chegava à localidade, a população local sabia que se tratava de um judeu. Não é apenas um homem da bíblia, é um homem perseguido. E no subconsciente dos habitantes mais antigos, estava-lhes no sangue, era forte, eles sabiam do que se tratava.”

Sobre a condecoração do memorial Yad Vashem, Berth diz com uma humildade desconcertante: “Porque é que eles nos deram isto. Não merecemos. Sempre dissemos que apenas fazíamos o nosso dever.”