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Líbano acumula dívida colossal

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Líbano acumula dívida colossal

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As guerras foram catastróficas. O Líbano está arruinado. Durante os últimos trinta anos, a economia pagou muito caro o preço dos conflitos que acompanharam a história do país.

A conferência internacional de ajuda económica ao Líbano, que se realiza na quinta-feira, em Paris, é para o governo, a última oportunidade de ultrapassar a crise financeira. Mas a oposição contesta este governo, a economia libanesa é refém da crise política.

Ahmad Fatfat, ministro da Juventude e do Desporto define assim a situação: “Desde esta manhã o povo libanês tem estado exposto à agressão da oposição liderada pelo Hezbollah. Agressão contra o seu direito ao transporte, agressão contra o seu direito a trabalhar e, sobretudo, contra o aeroporto de Beirute. Estão a concluir o que os israelitas começaram, a destruir a economia libanesa”.

O principal ponto da vulnerabilidade da economia libanesa é a dívida pública. Em 1992 era de 2,3 mil milhões de euros; nos últimos quinze anos não parou de crescer e atinge já os 31,6 mil milhões de euros.

Deste montante colossal, Beirute tem que reembolsar 5,3 mil milhões em 2007 e sete mil milhões em 2008. Mas a principal dificuldade para combater esta dívida continua a ser a instabilidade política e a insegurança que prevaleceu no país depois da guerra civil que durou 15 anos (1975-1990). O custo da guerra do Verão de 2006 entre Israel e o Hezbollah, foi, em perdas directas, de 2,1 mil milhões de euros. Um duro golpe nas finanças públicas já enormemente deficitárias.

A conferência Paris III poderá ser, portanto, uma bóia de salvação. Os peritos do FMI falaram da possibilidade de uma ajuda de 6,9 mil milhões de euros, a atribuir por etapas. O governo libanês, por seu lado, apresentará um programa de reformas que prevê a instauração de novos impostos a partir de 2008, acompanhadas de medidas sociais e financeiras e de privatizações.

Medidas fortemente contestadas pela oposição, mas segundo os analistas, a oposição sabe bem que o país do Cedro não poderá reconstituir-se economicamente sem a ajuda externa.