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Reconstrução do Líbano depende em muito da conciliação política

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Reconstrução do Líbano depende em muito da conciliação política

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O Líbano está de novo de rastos. O país, em plena crise política e económica, recebe neste momento em Paris um apoio financeiro de peso, e cujo interesse político é evidente. Trata-se de dons proporcionais ao apoio de cada actor da comunidade internacional atribuídos ao governo pró-ocidental de Fouad Siniora e ao seu programa de reestruturação económica.

Um programa à base de privatizações para que o país possa pagar a dívida de mais de 30 mil milhões de euros da crise que provocou a ira da oposição, sobretudo do Hezbollah.

Nas ruas paira a dúvida sobre se um dia a população verá a cor do dinheiro dos doadores. “Tentámos Paris 3, antes houve Paris 2 e 1. Não vimos nada, Não percamos tempo. As pessoas estão a morrer sem comida, bebida, trabalho, sem nada.”

Não é um acaso político se um dos mais generosos doadores seja a Arábia Saudita, seguida de perto pelos Estados Unidos. É que no terreno, o Qatar e o Irão, por intermédio do Hezbollah, já tomaram a iniciativa do dom.

Para o governo e seus aliados é urgente retomar a reconstrução para o país não cair nas mãos do regime iraniano. Para tal vale mais exagerar nas estimativas dos custos da reconstrução, ao anunciar um valor entre os 4,5 mil milhões e os 7,5 mil milhões de euros. A título comparativo, a reconstrução que se seguiu à guerra civil de 15 anos custou 5,5 mil milhões de euros.

Para o antigo ministra das Finanças libanês, George Crom, “o governo tentou dar uma imagem muito negativa por questões de conflito interno e para agradar ao mundo exterior que o está a apoiar, dizendo que é o resultado das acções do Hezbollah e que essa realidade tem que mudar. É uma batalha muito mais vasta, que deve ser vista no quadro da estratégia americana para combater o terrorismo.”

As estimativas de Crom dão de que a reconstrução não deverá exceder os 2,6 mil milhões de euros. Mas mais do que de dinheiro, a reconstrução do país depende da conciliação política.

Para já, o Hezbollah aceitou cooperar com o governo, mas já advertiu que ao mínimo desacordo passará a agir sozinho como tem feito, mesmo se isto significa a criação de um Estado dentro do próprio Estado.