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Eventual libertação de terroristas gera polémica

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Eventual libertação de terroristas gera polémica

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A polémica cresce na Alemanha com a possível libertação de dois revolucionários da Facção do Exército Vermelho. Brigitte Mohnhaupt fazia parte do núcleo duro da organização igualmente conhecida por Bando de Baader-Meinhof que aterrorizou a Alemanha Federal nos anos 70 e 80. Detida em 1982, viria a ser condenada a cinco penas de prisão perpétua em 1985 por nove homicídios. O seu cúmplice, Christian Klar, encontra-se igualmente a cumprir uma pena há mais de duas décadas.

O debate que se instalou na sociedade alemã começou com o pedido de libertação de Briggitte Mohnhaupt assinado no início do mês pelos procuradores federais. E o presidente alemão pensa agora agraciar Klar. A polémica reside sobretudo na falta de arrependimento que mostram estes dois arautos da segunda vaga de Baader-Meinhof e da sua luta contra os Estado Capitalista.

Além do homicídio do procurador-federal Siegfried Bubak, em Abril de 77, é o assassinato do patrão do patronato, em Outubro desse mesmo ano que ainda levanta algumas questões, nomeadamente a do autor do disparo. Hans-Martin Schleyer tinha sido raptado um mês antes e o seu corpo foi descoberto em França.

30 anos depois a viúva interroga-se ainda se existe uma justificação para um acto semelhante. O filho partilha um sentimento de cólera, juntamente com outros familiares de vítimas da organização terrorista. E explica porquê: “Como muitas coisas na vida é importante um gesto especial para esta mãe. Eu não consigo perceber como é que é feito um pedido de libertação sem um pedido de desculpas.”

A justiça alemã justifica-se em dois pontos. Primeiro, a Facção do Exército Vermelho, suspeita da autoria de 32 homicídios, foi dissolvida em 1998; segundo, os prisioneiros renunciaram à violência. Klaus Pfliger, procurador-geral de Estugarda, adianta ainda uma terceira explicação: “Muitas pessoas interrogam-se sobre a libertação de antigos terroristas. Contudo têm de compreender que em termos penais esta situação chegou ao fim. Dar uma segunda oportunidade a antigos criminosos demonstra a soberania de um país.”