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Jornal em tribunal por caricaturas

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Jornal em tribunal por caricaturas

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Poderemos rir-nos de tudo? Poderemos troçar das religiões? Será preciso amordaçar a imprensa? Estas perguntas estão com certeza a agitar os corredores do Tribunal Correcional de Paris, durante a abertura do processo contra o jornal Charlie Hebdo, que é acusado pela grande Mesquita de Paris e pela União das organizações islâmicas de França pela publicação das caricaturas de Maomé. O advogado de acusação afirma que “a verdade é que o texto diz que todos os muçulmanos são imbecis” adiantando que “se acham normal poder insultar as pessoas por causa da sua religião, que o digam. Essa não é a minha concepção de república”

A realidade é que o texto põe ainda mais em causa os fundamentalistas. As 3 caricaturas incriminadas foram publicadas num jornal dinamarquês e provocaram uma revolta no mundo muçulmano. Por entre as vozes que apoiam o jornal, estão vários jornalistas dinamarqueses. Ralph Pittelkow, autor dinamarquês defende que “se nos abstivermos de usar a nossa liberdade de expressão, as consequências serão que, teremos restrições das liberdades sobre as quais a nossa sociedade é construída”.

Enquanto os arguidos falam em liberdade de expressão os queixosos afirmam que esta não está em causa, mas que a queixa se refere à incitação ao ódio racial. Ontem, na sede do jornal, o director Philippe Val preparava os seus argumentos, apoiado pelo patrão do Jylliands-posten, o primeiro jornal dinamarquês a publicar os desenhos da discórdia. “Basta olhar para ver que não há qualquer muçulmano insultado. No entanto um muçulmano crente pode sentir-se tocado na sua fé pelas caricaturas. Isso é verdade” admitiu o responsável, acrescentando no entanto que “a democracia é precisamente o lugar de debate onde nós ouvimos coisas que tocam as nossas convicções”.

Por seu lado Fleming Rose, editor dinamarquês que publicou os desenhos pela primeira vez declarou que “faremos tudo o que pudermos para apoiar o Charlie Hebdo. Eu só não consigo imaginar as consequências, não só em França mas também na Dinamarca, na Europa, se nós perdermos esta batalha”.

A 30 de Setembro de 2005, o Jyllands-posten publicava 12 caricaturas, algumas das quais lançavam as achas para a fogueira. Largamente repreendido pela imprensa internacional esses desenhos deram origem a uma crise diplomática entre o mundo muçulmano e a Dinamarca e a uma vaga de manifestações por todo o mundo. O Jornal desculpou-se mas não foi condenado.