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Obras em Jerusalém desencadeiam protestos no mundo islâmico

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Obras em Jerusalém desencadeiam protestos no mundo islâmico

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As pedras da Esplanada das Mesquitas têm um carácter tão sagrado que as escavadoras não as podem remover sem desencadear uma vaga de protestos. Os trabalhos iniciados por Israel com vista à substituição de uma rampa de acesso à Porta dos Magrebinos não escapou à cólera dos palestinianos e do mundo muçulmano. Mas os trabalhos são necessários, asseguram os arqueólogos que trabalham no terreno.

Yuval Baruch, que além de arqueólogo é também o responsável pelas obras, explica que há três anos a ponte, na estrada, caiu com a chuva, o tempo atacou e há que construir um novo caminho para o templo, para os turistas e todos os outros. A simbologia da esplanada é forte: abriga a Mesquita de Al Aqsa e é o terceiro lugar sagrado do Islão, depois de Meca e Medina.

Mas também é o lugar do antigo templo judeu destruido no ano 70 pelos romanos, do qual nada sobrou excepto o muro ocidental conhecido por Muro das Lamentações, lugar mais sagrado do Judaísmo. É ao lado deste muro que a passagem vai ser construida.

Os palestinianos são apoiados pela Jordânia, tradicionalmente guardiã das mesquitas e que assegura a sua manutenção com a Autoridade Palestiniana. Todos duvidam que os trabalhos não fragilizem as fundações da esplanada. Além do mais há o receio de destruição do lugar para reconstrução do templo judeu no lugar do antigo.

É difícil chamar à razão neste complexo debate pessoas de diferentes sensibilidades e identidades religiosas. Em 1996, a abertura de um túnel arqueológico por Israel, neste local, provocou graves confrontos. Morreram 61 muçulmanos e 15 soldados israelitas. Também foi na sequência da visita de Ariel Sharon à Esplanada das Mesquitas, em 2000, que eclodiu a segunda Intifada. Com as escavadoras israelitas os muçulmanos reagem ao espectro da ocupação.