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Mirek Topolanek: "o sistema anti-míssil americano protege a Europa e a Rússia"

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Mirek Topolanek: "o sistema anti-míssil americano protege a Europa e a Rússia"

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Depois de sete meses a tentar formar um governo, o primeiro-ministro checo Mirek Topolanek pode finalmente respirar de alívio. No entanto, não deixa de ter que responder aos críticos, por causa do plano de acolher uma parte do sistema norte-americano de defesa anti-míssil. A presidência alemã da União Europeia está a aumentar a pressão sobre a República Checa a respeito da Constituição. Apesar de todos estes factores, Topolanek está confiante no futuro do país, agora de pedra e cal na Europa comunitária. Foi o que demonstrou em entrevista exclusiva com a EuroNews.

Valerie Zabriskie, EuroNews: Logo depois do seu governo ter recebido um voto de confiança no Parlamento, o senhor fez um discurso onde disse que vão continuar as conversações com Washington, com vista à instalação de uma parte do sistema de defesa anti-míssil dos Estados Unidos. Por que razão foi tão importante fazer logo este anúncio?

Mirek Topolanek, PM da Rep. Checa: A lei sobre a defesa anti-míssil tinha sido aprovada durante a administração Clinton e estipulava novas ameaças, tal como este sistema de defesa anti-míssil. Portanto, isto está em preparação há já muito tempo. Não é um plano apenas norte-americano, mas sim parte de políticas da NATO, a longo prazo, e mesmo parte das políticas da Rússia. Não é um novo regulamento, mas a verdade é que o sentimento anti-americano de alguns europeus está a mexer muito as coisas.

EN: Mas, segundo alguns artigos, a Rússia disse que um sistema de defesa como este, instalado em plena Europa Central, poderia alterar o equilíbrio militar na Europa e levar a uma nova corrida ao armamento. Como é que responde a isto?

MT: Não acho que devamos estar preocupados com o que dizem Ivanov, Lavrov ou os generais russos. Nós, República Checa e Europa Central, temos muita atenção a um factor. Ao de a Rússia temer estar a perder influência na Europa. Para mim, existe uma grande diferença entre o facto de ter mísseis SS20 com ogivas nucleares apontados contra cidades europeias e ter um sistema de defesa anti-míssil passivo, que serve para nos defendermos contra Estados criminosos e movimentos como o Hezbollah. Este sistema protege não só a Europa, como também a própria Rússia.

EN: Depois do encontro com a chanceler Merkel no dia 26 de Janeiro, o senhor disse que a Constituição europeia deveria ser mais compreensível, mais transparente e não deveria discriminar os novos Estados-membros. O que quis dizer com isso?

MT: Para os novos países membros, a liberdade de circulação não existe, no que toca ao trabalho. Posso enumerar outras áreas nas quais os novos Estados membros são discriminados, onde não têm os mesmos direitos que os outros, mesmo se não apresentam qualquer problema, e onde as principais liberdades não são respeitadas. Um exemplo típico é o que está a acontecer com a escolha da sede para o programa Galileo. A Comissão Europeia tinha sido bastante clara, aos escolher, como prioritários, vários novos Estados membros. Mas no último Conselho Europeu, os membros mais antigos colocaram bastantes dúvidas. São coisas a que os novos países da União são muito sensíveis.

EN: Quando fala de não discrminar os novos membros, acha que isso contribui para o facto de o senhor e o seu partido serem rotulados como euro-cépticos? Acha que isso é justo?

MT: Acho que esse rótulo é um insulto e não é justo. É sobretudo uma forma de fazer calar as vozes críticas em relação aos erros da União Europeia. Se o meu partido não tivesse eleitores, provavelmente nem estávamos na União Europeia. a entrada da República checa para a União não foi, de forma nenhuma, negativa para os antigos Estados-membros. Pelo contrário, foi positiva – e apesar disso quiseram impor-nos como deveria ser a nossa segurança social, o sistema de reformas e o serviço de saúde. Para nós, isso é inaceitável. O sistema europeu de Estado-providência está ultrapassado e não pode funcionar no século XXI.

EN: Depois de sete longos meses de instabilidade política, o seu país tem agora um governo estável. Quais são as suas prioridades e, sobretudo em relação à Europa, qual é a sua prioridade?

MT: Durante esses sete meses, houve governo e esse governo governou. Quanto às prioridades em relação à União Europeia, nós somos um país europeu como os outros. Não temos prioridades especiais em relação à União. Temos todos os dias que resolver problemas; mas sendo um país europeu, não temos um programa específico em relação à União Europeia. Há, no entanto, uma prioridade que gostaria de sublinhar: é a nossa preparação para assumir a presidência da União Europeia no primeiro semestre de 2009. Vai ser uma prova-chave de como somos um país como os outros, capaz de tratar os assuntos e resolvê-los com os nossos parceiros europeus.