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Naufrágio do Erika leva multinacional à barra do tribunal, pela primeira vez em França

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Naufrágio do Erika leva multinacional à barra do tribunal, pela primeira vez em França

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Começou em Paris o maior processo ambiental da França. O caso do petroleiro Erika coloca pela primeira vez, em França, uma multinacional no banco dos réus. O grupo petrolífero Total é uma das 15 empresas ou pessoas acusadas de poluição marítima e de colocar em perigo a vida de terceiros.

Philippe de Villiers, presidente da região de Vendée, é um dos 77 queixosos do processo e afirma que “se a Total soubesse que iria ser tida por responsável teria tomado uma decisão diferente e não colocado a carga num barco em ruínas”.

A multinacional francesa, número quatro mundial, é acusada de não ter tomado as medidas necessárias para evitar a poluição ao contratar um barco perigoso. Mas a companhia defende-se, garantindo ter contratado um navio com todos os certificados, que tinha passado uma vistoria 15 meses antes.

No banco dos réus está também o proprietário italiano do navio, uma empresa também italiana de certificação de barcos, oficiais de navegação franceses e o capitão indiano, actualmente a monte.

O Erika tinha 25 anos, não tinha condições de segurança apesar dos certificados e naufragou a 13 de Dezembro de 1999 ao largo da Bretanha. A início o capitão lançou um SOS, mas depois anulou-o.

Foram derramadas entre 20 mil e 30 mil toneladas de hidrocarbonetos, uma parte com propriedades cancerígenas, afectando 400 quilómetros de costa e matando entre 60 mil e 300 mil aves. Os danos ascendem a a mais de um milhão de euros.

O processo vai tentar esclarecer quem são os verdadeiros responsáveis e os contornos do naufrágio que levaria Bruxelas a debruçar-se sobre a segurança marítima.