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Itália dá o exemplo: ex-director do SISMI e agentes da CIA acusados de rapto e transporte ilegal do ex-imam Abou Omar

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Itália dá o exemplo: ex-director do SISMI e agentes da CIA acusados de rapto e transporte ilegal do ex-imam Abou Omar

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Estas são as primeiras imagens do ex-imam Abou Omar depois de ter sido libertado da prisão egípcia de Al Tora, no sul do Cairo, no passado fim de semana. Foram captadas pela RAI no Egipto e divulgadas ontem à noite. Esta sexta-feira, o tribunal de Milão decidiu acusar 35 pessoas, entre elas 26 norte-americanos, na maioria agentes da CIA, e seis antigos responsáveis do SISMI, os serviços secretos italianos.

A justiça italiana quer averiguar quem participou no sequestro do antigo imam em Fevereiro de 2003 em Milão e como foi depois levado para o Egipto. Ao que tudo indica terá passado pela Alemanha. A operação foi ilegal. Abu Omar é considerado pelos Estados Unidos como o cabecilha da organização terrorista Ansar al-Islam.

Em Itália, o principal visado com o julgamento que começa a 8 de Junho é Nicolo Polari, antigo director da secreta militar italiana. As autoridades norte-americanas e italianas desmentem qualquer implicação no caso, mas agência Reuters garante que, segundo documentos a que teve acesso, a CIA sondou o director do SISMI a seguir aos atentados de 11 de Setembro em Nova Iorque. A ideia seria haver uma colaboração entre os dois serviços em eventuais operações menos claras, como sequestros e transporte de terroristas suspeitos para o estrangeiro.

O Parlamento Europeu aprovou na quarta-feira uma resolução que admite terem sido feitos voos ilegais da CIA em espaço aéreo europeu, onde os agentes transportariam alegados terroristas. Ficou por provar se foram interrogados ou torturados em território europeu. Cabe agora a cada país averiguar. Em Portugal foi aberta uma investigação criminal contra desconhecidos para perceber o que se passou no espaço aéreo português durante a vigência dos executivos de Guterres, Barroso, Santana Lopes e José Sócrates.